Felicidade é…

Você sabe o que é felicidade? Eu não sei.

As vezes felicidade pra mim é ficar em um lugar legal, bonito, tranquilo e ficar gastando umas horas fazendo nada por lá. As vezes é comer uma comida que não comia a tempos ou aquele tempero de família gostoso que tem sabor de aconchego – um pirãozinho da mãe, cuscuz da vó. Me vejo feliz quando eu vejo as pessoas que gosto sorrindo, se divertindo. É acordar com meu cachorro me empurrando da cama com a maior cara de preguiça do mundo, é fazer comida e dar tudo errado, passar uma tarde tomando café com a família, ouvir histórias antigas das tias. É as vezes ficar quietinha na minha só lembrando das coisas que me fizeram sorrir, rever fotos, relembrar momentos, viagens, situações. Conseguir fazer um desenho e gostar resultado final, ir no parque e ver vários cachorrinhos felizes por lá, ficar em casa vendo os filmes que eu gosto.

Pra mim a felicidade é muito mais do que alguma coisa a ser alcançada. Será que é possível alcançar um nível de felicidade plena!? Olha, não sei… Mas pra mim é mais como um estado de espírito, sabe? Você pode estar feliz por muitos dias ou só em alguns momentos. Vai de cada um buscar o que lhe traz felicidade. São situações que enchem meu coração, que deixam minha alma mais leve, que me dão a sensação de que estou fazendo a coisa certa (e que o resto do mundo que se dane).

Então invés de ir atrás da felicidade, vou buscar tê-la perto de mim todos os dias. Nos momentos mais banais, nos especiais também, no trabalho, nas pessoas que quero perto de mim. Quero estar rodeada dos momentos felizes, e isso pode até não ser felicidade, mas definitivamente são essas coisas que eu quero pra mim.

Meu cabelo enrolado

Quando era pequena, minha família sempre se referia a mim como a “menina dos cabelos lisos”. Sempre ouvia “o cabelo da Daya é bom”, “seu cabelo lisinho é lindo”, e coisas assim. Mas a vida de adolescente me trouxe vários hormônios, com ele muitas espinhas, mudanças no corpo e claramente, mudanças no meu cabelo.

Meus cabelos que eram lisinhos, começaram a ficar encaracolados e como eu nunca tinha lidado com uma situação dessas, isso passou a ser um problema. Eu, que sempre tive o cabelo lindo e liso e não poderia ter outro tipo de cabelo, não é mesmo? Então, quando o meu cabelo começou a mudar muito, comecei a passar a famigerada chapinha para mantê-los lisos.

Já na adolescência, tinha o cabelo gigante (além de super volumoso) e minha rotina em dias de lavá-lo era secar e passar a chapinha em tudo aquilo. Depois que a vida mudou um pouco, passei a trabalhar e ir para a faculdade e o tempo gasto para alisar todo aquele cabelo era surreal, então decidi cortar as madeixas. Mesmo com o comprimento menor, os cuidados para o cabelo curto eram os mesmos: lavar, secar e chapinha.

Aí a tecnologia capilar foi avançando e não demorou muito para a progressiva chegar nos salões e claramente nos meus cabelos. Entre progressivas, tinturas, praias e descolorações, já nem conhecia mais a forma real do meu cabelo, se ele era liso, crespo ou cacheado. Em 2015, dentre todas as mudanças da vida, resolvi que não ia mais gastar dinheiro com todos esses tratamentos que só estavam detonando meus fios e parei de fazer progressiva. Demorei mais alguns meses, e deixei a loirisse um pouco de lado também.

Ainda em 2016, eu resolvi que não queria ter a mesma cara, o mesmo corte de cabelo e a mesma californiana que todo mundo tem. Fui cortando o cabelo aos poucos até que cortei acima dos ombros tirando quase toda a tintura e todo o resto de progressiva, mas ainda não conseguia me ver com o cabelo encaracolado (que é a forma real dele). No dia do corte, a cabeleireira me mostrou meus cabelos enrolados mas não conseguia – e muitas vezes ainda não consigo – me ver nos cabelos originais.

Bom, de um tempo pra cá, eu já consigo me enxergar mais com os cabelos enrolados do que com os cabelos lisinhos. Talvez esteja numa fase de aceitação do meu corpo/cabelo/jeito e quando vejo meus cabelos bagunçados, os cachos mal formados, vejo mais de mim. Vejo como uma extensão das minhas ideias estivessem saindo das cabeças, como se meu corpo estivesse em sintonia, como se minha personalidade estivesse ali.

Ainda não consigo deixar meus cabelos sempre assim, e sei que grande parte disso é por ainda achar que “ser bonita é ser de um jeito X” e não me aceitar 100% do jeito que eu sou. Mas a grande verdade (de eu ter escrito esse texto) é que cada vez que consigo estar mais a vontade comigo mesmo.

Sem sermão, sem cagar regras, sem nada dessas coisas, hoje só penso que poderia ter tratado melhor do meu cabelo (e isso vale pra outras partes do corpo também) de um jeito que eu me sentisse bem e não porque “tinha que ser”. Se quiser deixar liso, enrolado, colorido ou natural, deixe, desde que essa seja sua vontade.  Aprendo a cada dia que estar bem consigo mesmo é a melhor forma de beleza e foda-se os outros <3

Talvez eu tenha vindo até aqui pra desistir agora…

A gente tem na cabeça que desistir das coisas é muito errado. Associa desistência com fracasso, com falhas e depreciações de nós mesmos. Desistir não faz ninguém ser pior, ser menos nem é sinônimo de fracasso.

Desistir só faz da gente ser humano.

Nem tudo dá certo, nem tudo precisa ser continuado.
Você simplesmente pode não querer ou não fazer mais e tá tudo bem. Insistir em algo que já não tá dando certo pode ser desgastante, cansativo, frustrante e fazer você não acreditar mais em você, no seu potencial.

Já passei por situações em que preferia estar mal a desistir de algo e isso me fez um mal danado. Acabei ficando mais frustrada e mais sem energias do que se tivesse largado tudo antes. Aprendi que as vezes é preciso desistir para conseguir seguir em frente.

Desistir de um emprego que não te faz bem, de uma amizade que só consome suas energias, de um relacionamento que está desgastado, de um hobby que você começou só pra fazer companhia pra sua mãe, desistir de ver uma série que você não gostou.

É tipo deixar pra lá aquela calça que não te serve ao invés de ficar provando ela todos os dias e se frustar. Um dia, quem sabe, ela entra de novo e volta pro jogo. Mas tudo bem também se não servir nunca mais, tem tantas outras calças no cabide. Muito melhor assumir que alguma coisa não dá certo e abrir espaço para coisas novas, para mais erros e acertos. Desistir pode fazer parte do processo, você só precisa escolher o que vai deixar pra lá e o que vai continuar… Deixa a porta aberta pro novo entrar.

E teve mais uma tattoo

Antes de irmos embora do Brasil, eu e o Fábio estávamos com a ideia fazermos uma tatuagem. Pelos vários motivos que tínhamos em nossa cabeça, em nossas vidas e principalmente porque gostamos de tatuagem. Mas acontece que de uns tempos pra cá, fazer uma tatuagem bacana virou sinônimo pagar muito dinheiro. Não é ruim que as pessoas valorizem sua arte e cobrem pelos seus desenhos e trabalho, muito pelo contrário, mas acaba sendo inviável pagar no mínimo R$ 1000 em UMA tatuagem de cerca de 10 cm. Sim, em SP tá mais ou  menos esse preço e é preciso procurar muito pra achar um tatuador com um trabalho bacana e a preços que cabem no bolso.

Eis que na busca, reencontrei o tatuador que fez minha primeira tatuagem, o André. Como já conhecia o trabalho dele, foi mais fácil escolher. Combinamos um dia de ir no studio, conversamos sobre a ideia da tatuagem, conhecemos o studio que ele trabalha agora e fechamos um valor SUPER amigo <3 O André é um cara super tranquilo, combina um preço que cabe no bolso, tem o traço muito foda e umas ideias super interessantes. Eu gostei (mais uma vez) do trabalho dele e super indico o studio First Line (Rua Casa do Ator, 675, Vila Olimpia)

Como gostamos bastante, achei bom compartilhar, porque né!?
Agora, chuva de fotos da tattoo nova.

BTW, se alguém tem dica de algum studio deixa nos comentários, pois é sempre bem vindo! <3

Lagriminhas.

Pouco depois de saber da mudança toda, começamos a encontrar nossos amigos e família para nos despedirmos. Sei que não é uma despedida eterna, claramente não estamos morrendo e graças a passagens promocionais e redes sociais, podemos nos comunicar com quem quisermos, a hora que quisermos. Mas, sempre que rola uma despedida, as lágrimas me acompanham.

Sempre chorei em despedidas. Encerrar alguma coisa sempre foi algo difícil pra mim, mesmo sabendo que ia acontecer, mesmo sendo minha escolha, mesmo quando a trajetória é difícil. No final do ensino médio chorei que nem criança mesmo sabendo que as amizades iriam permanecer (ok, não foi a maioria, mas ainda tenho amigos do colégio). Todas as vezes que troquei de emprego chorei também – mesmo pedindo pra sair. Então, pra sair do país não seria diferente, as lágrimas iriam rolar – e rolaram.

O meu choro não foi por tristeza, longe disso; essas lágrimas são de saudades. Saudades de todos os momentos que compartilhamos e de repente não ter isso. Um choro por saber que vou perder as piadas internas, que não vou participar tão mais das banalidades da vida, que vai demorar para tomar uma cerveja num Happy Hour de última hora. As lágrimas são pelos momentos que passamos e que talvez demore pra passarmos novamente.

Não fico triste por partir, pois a vida tem dessas coisas. Mas todas essas lembranças me fazem ficar sentimental e chorar é só consequência disso. Fico feliz de ter motivos para chorar, para sentir saudades. O bom mesmo é saber que estive – e ainda estou – rodeada de pessoas que deixaram bons momentos, boas lembranças e muitas boas (e outras não tão boas) histórias. Se chorei, é pelas saudades que terei de tudo.