Desativei

Decidi ficar sem usar redes sociais por um tempo.
Não sei por quanto tempo.

Uma parte da decisão de deletar os apps (e não as contas, o que me permite voltar) foi porque me vi perdendo muito mais tempo do que eu imaginava, rolando a tela pra cima, vendo sei lá o que no Instagram, rindo dos vídeos de cachorro e gatinho no Twitter. Nessas de rolar a barrinha vez aqui, vez ali, só pra descansar um pouco entre uma tarefa e outra, só pra ver o que está acontecendo, só pra postar uma gracinha, fazer um comentário em algum post ou mostrar uma frivolidade nos stories. Cada um desses “só” somados, no final do dia davam cerca de NOVE HORAS por dia. NOVE HORAS, entre Instagram, Netflix, Facebook, Twitter, Spotify. Por um tempo tentei reduzir, mas ainda me senti incomodada com muitas horas dentro desse ciclo. O que eu poderia estar fazendo com essas horas? Talvez nada importante. Muito provavelmente na verdade. Mas achei que era uma coisa que eu poderia mudar.

Ai com isso na cabeça, ouvi um podcast sobre o assunto e cheguei no “Dez argumentos para você deletar suas redes sociais” -, me alertei de alguns males que estavam me fazendo, além da perca de tempo. Comecei a prestar atenção no conteúdo que eu venho consumindo e, talvez por até preguiça, aceitar as notícias que chegam até mim. Fora os vários perfis de perfeições e inutilidades que gastava um tempo danado que só faz a gente ficar ou triste ou pilhado e raras vezes inspirado. Depois de ver algumas dessas coisas, não consegui mais desver, e aí achei que era a hora de “desativar”

Com toda essa mistura e ideias na minha cabeça junto com o trabalho que venho fazendo na terapia, fez sentido pra mim sair das redes, mas principalmente dos três principais: Facebook –  que já fazia um bom tempo que tinha desinstalado, mas ainda passava pela versão web em dias de tédio-, Twitter  e Instagram. Ainda  mantive o Whatsapp, para manter o contato com as pessoas, mas saí desses grupos “de besteiras” que já não tinham mais nada a ver comigo e ficavam só no silencioso.

E agora?

Não vou me tornar um ser humano melhor por isso. Nem uma pessoa superior. É mais um processo de auto descobrimento que faz muito tempo que venho me preparando para isso. E nesse processo de me descobrir, vou ter que descobrir também o que fazer com essas horas “vagas”, achar novos meios de buscar informações e achar outras fontes de entretenimento. Enfim, agora é pegar esse tempo e esse olhar e olhar pra mim, pra me conhecer e criar novos hábitos. Já passou da hora de me conhecer e conhecer meus gostos, não é mesmo?

Trinta

Eu sempre achei que quando eu chegasse nos 30 anos eu ia ser muito adulta. E talvez por isso eu sempre tive meio que medo de chegar aos 30, porque eu nunca me sentia perto de toda essa “adultisse”.

Sempre fui muito molecona, brinquei até mais do que se espera de uma criança, não levava as coisas muito a sério para o desespero dos meus pais. Pra mim crescer envolvia muito mais responsabilidade do que diversão. Achava que quando virasse oficialmente adulta, ia virar um desses adultos chatos, sérios. Mas não é bem assim. A responsabilidade vem – junto com os boletos pra pagar-, mas vem também a liberdade, as escolhas, a maturidade… ah, como é bom olhar pra trás e ver o quanto mudei.

A vida pode ser divertida, e até mais do que era. É bem clichê mas é verdade: a idade tá na nossa cabeça. Só é limitante quando a gente deixa ser, só é pesada quando a gente coloca esse peso. Tá certo que o corpo cede algumas vezes, mas é o preço a se pagar.

O que seria um desespero pra mim há 10 anos atrás, estar com 30 mais perdida do que quando vim ao mundo, sem filhos, sem trabalho, hoje é um dos motivos da minha alegria. Provavelmente daqui há 10 anos vou olhar pra trás e me sentir uma idiota, e isso é ótimo.

Sigo na vida correndo atrás do meu sonho de criança: ser o pato Donald.

Tá frio lá fora

Ta frio lá fora.
As folhas começaram a cair.

Você sabia que as árvores hibernam no outono/inverno e por isso as folhas caem?
E no processo de hibernação, a árvore para de fazer fotossíntese e as folhas tomam de volta suas cores originais… marrom, amarelo, laranja, roxo, bordô…
E enquanto hiberna, a árvore se protege.
Ela poupa energias, se protege dos desgastes, do tempo.
Ela tá lá viva, quietinha, esperando tudo  melhorar pra voltar a exibir suas folhas verdes, flores e frutos.

As vezes a gente tem que olhar pra dentro.
Cuidar da nossa planta interna.
Tirar tempo para as coisas, para amadurecer as ideias, os pensamentos.
As vezes tudo tem que hibernar até tomar forma, até florescer.

Tá frio lá fora.
As folhas vão caindo cada vez mais.
As cores vão se revelando cada vez mais.
Tudo vai ficando alaranjado, nesse tom de sépia.
Cada momento tem sua particularidade, seu brilho e sua importância.

As vezes esse é o momento.

Intensidade

Chega, abre a porta, deita e dorme.
Hoje aqui é seu lar.

Aqui comigo.
Temos pouco tempo.
Então não se incomode em dizer se lhe faltar algo.

Não quero nada em troca.
Ou melhor, quero sim.
Quero trocar carinhos, lembranças e histórias.
Quero ganhar seu colo, seu abraço.

Não se preocupe que eu preparo o café da manhã.
Hoje eu sou a anfitriã.
Quero que você se sinta em casa.
E que se sinta a vontade pra voltar.

A gente é tão diferente agora.
Mas o nosso passado é o que nos une.
É o que faz você vir aqui hoje.
É o que faz eu sentir sua falta.

Me preocupo em te mostrar que estou bem.
Me preocupo em colecionar sorrisos nossos.
Me preocupo em saber quanto vai demorar pra você voltar.
Mas fico feliz que você veio.

Vou lembrar do cheiro que você deixou por aqui.
E das pequenas coisas que fizemos.
Dos passeios despretensiosos.
Das danças no meio da rua.
Da nossa cumplicidade.

Mas espero você não muito longe de hoje
Pra uma próxima visita.
Porque meu peito esvazia muito rápido quando você está longe.

Hoje é sobre mim

Hoje vai ser sobre mim
Sobre as minhas vontades, minhas histórias e meus desabafos
Hoje vai prevalecer os meus gostos, minha música, minha dança
Hoje é o meu dia
O dia de me satisfazer, de sorrir pro sol
Nada de carregar o mundo das costas
Hoje ando sem mochila, sem pesos, sem preocupações
Hoje o dia é sobre mim
Sobre me fazer bem, sobre me sentir bem
Olhar pra onde eu gosto de olhar
Sentir o que eu quero sentir
Hoje e sobre as minhas futilidades
Sobre as minhas necessidades
É sobre o que eu quero
Ou talvez o que eu ache o que eu quero
São as minhas incertezas
Minhas inseguranças
Meu próprio umbigo
Minha liberdade

Sinto muito
Mas hoje o dia é só sobre mim
Precisa ser só sobre mim.