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Meu cabelo enrolado

Quando era pequena, minha família sempre se referia a mim como a “menina dos cabelos lisos”. Sempre ouvia “o cabelo da Daya é bom”, “seu cabelo lisinho é lindo”, e coisas assim. Mas a vida de adolescente me trouxe vários hormônios, com ele muitas espinhas, mudanças no corpo e claramente, mudanças no meu cabelo.

Meus cabelos que eram lisinhos, começaram a ficar encaracolados e como eu nunca tinha lidado com uma situação dessas, isso passou a ser um problema. Eu, que sempre tive o cabelo lindo e liso e não poderia ter outro tipo de cabelo, não é mesmo? Então, quando o meu cabelo começou a mudar muito, comecei a passar a famigerada chapinha para mantê-los lisos.

Já na adolescência, tinha o cabelo gigante (além de super volumoso) e minha rotina em dias de lavá-lo era secar e passar a chapinha em tudo aquilo. Depois que a vida mudou um pouco, passei a trabalhar e ir para a faculdade e o tempo gasto para alisar todo aquele cabelo era surreal, então decidi cortar as madeixas. Mesmo com o comprimento menor, os cuidados para o cabelo curto eram os mesmos: lavar, secar e chapinha.

Aí a tecnologia capilar foi avançando e não demorou muito para a progressiva chegar nos salões e claramente nos meus cabelos. Entre progressivas, tinturas, praias e descolorações, já nem conhecia mais a forma real do meu cabelo, se ele era liso, crespo ou cacheado. Em 2015, dentre todas as mudanças da vida, resolvi que não ia mais gastar dinheiro com todos esses tratamentos que só estavam detonando meus fios e parei de fazer progressiva. Demorei mais alguns meses, e deixei a loirisse um pouco de lado também.

Ainda em 2016, eu resolvi que não queria ter a mesma cara, o mesmo corte de cabelo e a mesma californiana que todo mundo tem. Fui cortando o cabelo aos poucos até que cortei acima dos ombros tirando quase toda a tintura e todo o resto de progressiva, mas ainda não conseguia me ver com o cabelo encaracolado (que é a forma real dele). No dia do corte, a cabeleireira me mostrou meus cabelos enrolados mas não conseguia – e muitas vezes ainda não consigo – me ver nos cabelos originais.

Bom, de um tempo pra cá, eu já consigo me enxergar mais com os cabelos enrolados do que com os cabelos lisinhos. Talvez esteja numa fase de aceitação do meu corpo/cabelo/jeito e quando vejo meus cabelos bagunçados, os cachos mal formados, vejo mais de mim. Vejo como uma extensão das minhas ideias estivessem saindo das cabeças, como se meu corpo estivesse em sintonia, como se minha personalidade estivesse ali.

Ainda não consigo deixar meus cabelos sempre assim, e sei que grande parte disso é por ainda achar que “ser bonita é ser de um jeito X” e não me aceitar 100% do jeito que eu sou. Mas a grande verdade (de eu ter escrito esse texto) é que cada vez que consigo estar mais a vontade comigo mesmo.

Sem sermão, sem cagar regras, sem nada dessas coisas, hoje só penso que poderia ter tratado melhor do meu cabelo (e isso vale pra outras partes do corpo também) de um jeito que eu me sentisse bem e não porque “tinha que ser”. Se quiser deixar liso, enrolado, colorido ou natural, deixe, desde que essa seja sua vontade.  Aprendo a cada dia que estar bem consigo mesmo é a melhor forma de beleza e foda-se os outros <3

Não foi só um corte de cabelo

Era pra ser um post falando que uma cabeleireira pesou demais a mão no corte, mas no final virou um post de autoconhecimento. Essa história baseada em fatos reais. Algumas vezes eu fico com um fogo no cu desgraçado e faço as coisas no famigerado impulso. Semana passada comecei a namorar um corte de cabelo curtinho e o desejei mais do que cerveja gelada em dias de calor excessivo. Olhei cortes, rostos, poses, salvei várias ideias em boards do Pinterest e na mesma semana consegui horário no cabeleireiro pra passar a tesoura.

Há muito tempo meu cabelo é comprido. Em meados de 2009, quando ainda estava na faculdade, cortei o cabelo bem curto, acima dos ombros, mas depois desse corte revolucionário, só usei longo. Meu ultimo corte foi o famoso long bob, ou seja, tava curto mas ainda assim, tava longo.


imagesMinha cara já tava na mesma há muito tempo e eu queria uma cara nova, e como dinheiro pra plástica nóis num tem, o corte com certeza resolveria esse problema. Falei com a Pree (a cabeleireira) e ela me conhecendo perguntou se era isso mesmo, se podia cortar, como ia usar, etc.. Eu tava muito empolgada e falei pra ela mandar a ver, só que no primeiro corte – caminho sem volta – já me deu um arrepio no coração. Toda a coragem foi embora e só ficou insegurança, desconforto e agonia.

CARA CADÊ MEU CABELO?

Acho que no fim do corte ela percebeu que eu tava meio triste, percebeu que eu talvez não tivesse curtido tanto. Me mostrou as opções de como usar, me deu a opção de me livrar das garras da chapinha e progressiva, me mostrou o empoderamento de um curtinho e a beleza, mas confesso que na hora estava em choque. Não consegui gostar muito, mas não tinha mais o que fazer era eu aceitar o cabelo e esperar crescer.

Tava bonito, tava legal, eu queria exatamente assim, mas fiquei me perguntando o porque eu não tinha gostado. Cabelo novo, cara nova, não precisava mais ficar alisando, os quebrados da tintura e progressiva saíram quase que tudo, e um cabelo que posso usar de vários jeitos.

20160902_171250_001A gente tem no nosso subconsciente (ou no consciente mesmo) que bonito é ter cabelos longos, loiros, lisos e esvoaçantes, cabelos das modelos e atrizes. Mas obviamente isso não é verdade. Em todo o contexto se tem beleza e isso é uma coisa que temos ter na nossa cabeça para nos livrarmos dos esteriótipos que estão por aí. Uma pesquisa conduzida pela Dove, 9 em cada 10 mulheres se sentem pressionadas a usar o cabelo de certa forma que agrade a sociedade, padrões ditados pela mídia, parceiros ou familiares, mas que não necessariamente atendem suas vontades pessoais.

E aí depois disso vi como tava sendo besta otária, que cabelo é só cabelo, que o curtinho é lindo, que eu tava livre dessa beleza imposta (que também é bonita, desde que a pessoa esteja bem com ela). Tirei da cabeça o que me impedia de me enxergar como eu queria e percebi que estava melhor do que nunca. Mudar de cabelo não só meu deu um novo visual, mas também me deu um novo pensamento, me deixou mais bem resolvida comigo mesmo (e rendeu um post, olha só haha). Confiança e auto estima tem que estar na gente, e esse corte me fez lembrar ainda mais disso. Cada um deve viver sua beleza.

Quem disse?

Eu ainda não achei a pessoa que disse o certo e o errado dos esteriótipos de beleza, mas apesar de querer muito saber quem seja, não a culpo por isso ainda existir. Aparentemente essa nova geração é a geração dos bombadinhos. E se você não malha, não vai na academia, não come de 3 em 3 horas seu frango com batata doce ou sua barrinha de cereal, sinto lhe dizer, mas você está fazendo isso errado.

Certa vez no elevador, uma menina falou pra um menino que ele estava muito gordo e deveria fazer algo. MAS PÉRA! Quem foi que disse que o certo é ser magro? Por acaso tem algo de errado em ser gordo? Só é bonito quem é magro, sarado, tem um tanquinho pra exibir?
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Fico me perguntando se as pessoas perderam a noção de importância das coisas ou se elas se tornaram tão vazias que as revistas/mídia, conseguem vender o estereótipo e a pessoa aceita. Tipo uma folha de papel em branco, que aceita tudo o que lhe é escrito, apagado, borrado… E além de se tornarem superficiais e artificiais, ainda se incomodar porque o outro não é igual.

Já ouvi algumas vezes de amigos e desamigos que eu sempre estou no bar. Não é segredo pra ninguém que eu gosto de tomar uma cerveja, sentar na mesa do bar com os amigos e jogar conversa pro ar. E sou jugada por ir 2 vezes na semana no bar e não ir 2 vezes na semana na academia. De não postar fotos no Instagram com meu tanquinho e postar de cervejas. Dar check-in em bares e restaurantes e não dar check-in na academia ou em provas de corrida.

E de repente, se eu não gosto de ir na academia? Se eu acho ser magra não é o tipo de corpo pra mim? EU POSSO ESTAR SATISFEITA COM O CORPO QUE EU TENHO MESMO ELE NÃO SENDO CAPA DE REVISTA? Aparentemente, não.

Mas dessa vida eu escolho ser feliz. Escolho beber quando quero beber, escolho comer coxinha, brigadeiro, batata frita, macarrão quando tenho vontade. Escolho ir na academia quantas vezes me apetecer e escolho ficar em casa olhando pro teto todas as vezes que for necessário. Não escolhi ter um corpo de modelo, nem um corpo de panicat. E não acho errado quem escolhe ter, acho errado quem escolhe que todo mundo tenha.

As pessoas são únicas, com suas escolhas e suas individualidades e não faz sentido nenhum alguém achar que todo mundo tem que ser do padrão que foi dito por alguém.

O negócio é ser feliz, malhando, comendo, dormindo, gordo, magro, sarado… E parar de se preocupar com vida alheia. Olha pra você e pro seu corpo. Se olha no espelho. Você gosta do que vê? Gosta de você e está satisfeito de como é? Só você pode e deve julgar seu comportamento e seu corpo e mudar (ou não) por isso. Vai escolher o que te faz feliz ou o que a revista manda?

Vídeo da Semana

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Esse vídeo já deu a volta na internet esses tempos atrás, mas como eu to atrasada com tudo menos com minha menstruação, é claro … E isso não é novidade pra ninguém… Vou postar, repostar, eleger esse vídeo maravilhoso do discurso que a queridíssima e amadíssima Lupita Nyong’o fala sobre aceitação da Beleza Negra, como vídeo da semana.

É de chorar de emoção, se envergonhar do mundo todo desse estereótipo cruel que é pregado quando o assunto é beleza e pra aplaudir de pé o discurso supremo da nossa vencedora do Oscar.

Não viu? Confere…. Viu? Vê de novo que esse é merecido! <3 ~~Muito amor por esse vídeo~~

Links da Semana

Esses são os links que vi essa semana e curti… Espero que vocês também gostem.

esconde escondeAs criancinhas com os melhores esconderijos possíveis, mostrando toda graça e criatividade quando a brincadeira é esconde-esconde.

aguaVárias teorias da conspiração na Internet, mas essa realmente me fez acreditar que beber água de garrafa pode não fazer tanto sentido assim…

contrarioUm curtinha francês ilustrando como seria a vida de um homem se os valores fossem invertidos e ele vivesse numa sociedade matriarcal agressiva.

guia 25 de marcoPra que não mora em SP, ou até mora, mas não conhece os points bons da 25 de março, algumas dicas incríveis para encontrar Bijus e Bolsas.

simetriaBeleza é o mesmo que simetria? Fotos lado a lado de pessoas como elas são em suas belezas e como elas são em suas simetrias…