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Mulheres de Berlim

Não foi só uma vez.

Quando alguns amigos vieram nos visitar em Berlim, ouvi comentários sobre as mulheres daqui. Ao contrário do que se pensa, não são elogios. São sempre comentários do tipo “Como as mulheres daqui são desarrumadas”.

Berlim é uma cidade onde as pessoas prezam pelo conforto, sejam elas homens ou mulheres. Para se locomover, as pessoas utilizam transporte público, bicicleta ou fazem o percurso a pé, então as roupas confortáveis ajudam – e muito – nessa locomoção. As mulheres vão para bares e baladas normalmente como estão vestida para o dia dia. Sem salto e muitas vezes sem maquiagem e uma “roupa apropriada”.

Há cinco anos atrás meu guarda roupa era completamente outro. Tinha mais de 20 vestidos – compridos, curtos, mangas longas, regatas, floridos…- quase não tinha jeans e roupas confortáveis só as de academia e o pijama. O mesmo acontecia com os sapatos. Por anos só comprei sapatos de salto e que normalmente eram desconfortáveis, algumas sapatilhas sociais e um tênis raramente usado. Lembro de sempre estar com os pés moídos dos sapatos e de raramente me sentir confortável. Os cabelos sempre tinham que estar alisados e prontos, só saia de maquiagem e fazia as unhas toda a semana.

Quando as pessoas vem e falam que as berlinenses não são arrumadas eu tenho outra visão. Vejo que as mulheres daqui são muito mais livres. Elas buscam o conforto, a praticidade do dia dia e estão sempre muito a vontade. As mulheres não estão de salto alto o tempo todo, as unhas não estão pintadas sempre, a cara vezes tem maquiagem vezes não, e ninguém se importa. As mulheres continuam se divertindo como todas as outras, indo a bares, festas, trabalhando, vivendo.

E estar aqui me fez me libertar de muitas dessas coisas também.
Hoje sinto que vivo sem essa pressão de estar sempre “pronta”, seja lá o que isso signifique. Não é errado usar saltos, alisar o cabelo ou se arrumar.
Errado é fazer isso por uma obrigação que nem se sabe da onde veio (na verdade a gente sabe sim). Saber que não são as unhas feitas, os cabelos prontos e certo estilo de roupas que vão me impedir de ser eu mesma e muito menos de fazer o que eu quero. Minha relação com meu guarda roupa mudou, minha relação com minha aparência mudou e hoje já me sinto uma mulher de Berlim.

Urban Nation

Berlim respira arte. Nas ruas, muros e prédios é comum ver expressões artísticas. Desenhos e grafittis pintam a cidade e fazem Berlim ter essa cara. Alguns dias atrás um novo museu foi inaugurado na cidade. Um museu que expressasse a cara que Berlim carrega em suas ruas, o Urban Nation Museum.

Desde 2013, o Urban Nation vem transformando as fachadas de Berlim em uma gigantesca galeria ao ar livre e agora exibe em uma galeria quadros e esculturas de arte contemporânea de diversos artistas do mundo (sim, temos o Brasil bem representado por lá). A exposição se extende pela rua, nos muros dos prédios, no chão, então vale a pena passear pela rua que compõe o museu.

Endereço
Bülowstraße 7, 10783 Berlin, Germany

Festival der Riesendrachen 2017

Nesse ultimo final de semana aconteceu aqui em Berlim o Festival der Riesendrachen (Festival do Dragão Gigante – literalmente traduzindo). Com palco, música ao vivo, comidas e bebidas, o sábado no Tempelhofer Feld. foi tomado por pipas com vários desenhos e tamanhos, além dos balões de ar de dragões, lula, ursos… Enfim, uma festa para a família toda.

Chegamos no final da tarde e arrisquei a tirar algumas fotos com a câmera que andava encostada por aqui. Com ajuda do por do sol e céu alaranjado, gostei do resultado das fotos! 🙂

 

Mais um aprendizado…

Berlim me trouxe várias oportunidades pessoais e uma delas foi passar a falar inglês. Fiz mil anos de curso, nas viagens para fora do Brasil sempre falava um pouco, mas quando não se pratica, sabe como é, né!? Pedir comidas, entender textos, assistir filmes e séries é completamente diferente de levar uma conversa por algumas horas.

E sempre carreguei essa insegurança comigo: na hora me faltar vocabulário, falar algumas besteiras, verbos e conjugações erradas… enfim. Daí que certo dia conversando com uma berlinense, iniciei a conversa com a frase padrão: “Sorry for my bad english” e tomei um belo tapa na cara.

“A partir do momento que você consegue se comunicar com alguém, quando você consegue estabelecer uma conversa, você não pode dizer que seu inglês ou qualquer outra língua é ruim.”

Sim, ela me disse isso e depois de ouvir essa bela lição, um  novo mundo se abriu pra mim: o da auto confiança. Essa é só uma pequena parte de mim que fica se sabotando o tempo todo; se escondendo, com vergonha de aparecer.
Mas em que isso ajuda, não é mesmo?

Quando a gente acredita na gente, um novo mundo se abre. Quando se entende que não precisamos esperar o momento perfeito ou a perfeição para fazer as coisas, é simplesmente dar o primeiro passo e lidar com as dificuldades conforme for aparecendo.
E que tudo vai ficar bem.

Já dizia a minha avó: quem não arrisca, não petisca (e provavelmente sua vó dizia o mesmo). E por não me arriscar, muitas vezes fiquei só no “e se”. Parece besteira, isso tudo só por conta do inglês? Sim. É uma coisa pequena, mas eu precisava desse tapa, desse pontapé, desse novo angulo para conseguir ver as coisas de um novo jeito.
Pra me permitir mais.
Pra arriscar.

Tudo tá perfeito agora? Claro que não.
Mas são os pequenos passos, não é mesmo…

Projekt Klunkerkranich

Dentro de um shopping com várias lojas populares e restaurantes fast food, é no estacionamento que fica um dos melhores lugares que fomos em Berlim. O Rooftop Bar Klunkerkranich em Neukolin ( Rathaus Neukölln – U7) conta com uma horta vertical na entrada, cerveja gelada com um preço bacana, drinks e lanches. Além de aproveitar as good vibes e boa música, ainda tem uma visão privilegiada da cidade.

Do lado de fora, várias mesas espalhadas, um espaço de playground para quem for com criança e várias vasilhas de água espalhadas para quem for com o pet. Do lado de dentro, mesas e sofá em um clima super confortável e, depois das 16h, conta com DJ e uma programação especial para cada dia que vai até as 2 am.

O atendimento super alto astral e a comida/bebida com preço justo. O clima é de tranquilidade. É o tipo de lugar que as pessoas vão pra curtir, conversar, aproveitar a vista. Aqui não tem dress code.  Durante o verão o lugar enche, então o ideal é chegar antes das 18h. Mas para quem preferir, tem brunch servido ate as 15h.

Do mais, é só conferir a programação no site e ir visitar o local (entrada 4 euros – a partir das 16h). Ah, vale ver a previsão do tempo também, pois em dias de chuva pode não ser tão legal visitar.