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Mais um aprendizado…

Berlim me trouxe várias oportunidades pessoais e uma delas foi passar a falar inglês. Fiz mil anos de curso, nas viagens para fora do Brasil sempre falava um pouco, mas quando não se pratica, sabe como é, né!? Pedir comidas, entender textos, assistir filmes e séries é completamente diferente de levar uma conversa por algumas horas.

E sempre carreguei essa insegurança comigo: na hora me faltar vocabulário, falar algumas besteiras, verbos e conjugações erradas… enfim. Daí que certo dia conversando com uma berlinense, iniciei a conversa com a frase padrão: “Sorry for my bad english” e tomei um belo tapa na cara.

“A partir do momento que você consegue se comunicar com alguém, quando você consegue estabelecer uma conversa, você não pode dizer que seu inglês ou qualquer outra língua é ruim.”

Sim, ela me disse isso e depois de ouvir essa bela lição, um  novo mundo se abriu pra mim: o da auto confiança. Essa é só uma pequena parte de mim que fica se sabotando o tempo todo; se escondendo, com vergonha de aparecer.
Mas em que isso ajuda, não é mesmo?

Quando a gente acredita na gente, um novo mundo se abre. Quando se entende que não precisamos esperar o momento perfeito ou a perfeição para fazer as coisas, é simplesmente dar o primeiro passo e lidar com as dificuldades conforme for aparecendo.
E que tudo vai ficar bem.

Já dizia a minha avó: quem não arrisca, não petisca (e provavelmente sua vó dizia o mesmo). E por não me arriscar, muitas vezes fiquei só no “e se”. Parece besteira, isso tudo só por conta do inglês? Sim. É uma coisa pequena, mas eu precisava desse tapa, desse pontapé, desse novo angulo para conseguir ver as coisas de um novo jeito.
Pra me permitir mais.
Pra arriscar.

Tudo tá perfeito agora? Claro que não.
Mas são os pequenos passos, não é mesmo…

Um dia deveras berlinense

O sol aparece e as pessoas saem de casa, que nem as formigas quando um formigueiro cutucado por uma varetinha. Quando tem dia de céu limpo então, as pessoas dominam os parques e qualquer graminha que tenha um solzinho. Isso acontece desde que começou o horário de verão – e não precisa necessariamente estar calor.

Sempre amei sol, ainda mais seguidos de dias (as vezes meses) nublados e/ou chuvosos.
Aprendi a vê-lo com mais prazer ainda e já sou adepta ao estilo alemão de repousar meu corpinho e minhas ideias numa canga estendida em uma graminha.

No final de Abril, logo depois da Páscoa, as araras de chocolates são substituídas por pacotes de carvão. A geladeira ganha espaço para carnes prontas para Grill, hambúrgueres moldados, molhos especiais e  pães recheados. Descobrimos que os berlinenses são adeptos ao churrasquinho. Mas aqui não tem varanda gourmet nem churrasqueiras no prédio, então a Grill Party acontece nos parques, o que torna tudo mais divertido.

Não são todos os parques e nem todos os lugares dos parques que é permitido fazer churrasco. Mas existe uma área de grill (Grillplatz) com placas e informações pra não dar bola fora na hora de armar a churrasqueira no lugar errado – sim, demos essa bola fora. E por falar em churrasqueira, existem vários tipos e de vários preços (que seja fácil para carregar e montar), mas existe também nos mercados as churrasqueiras descartáveis, que são ótimas para não ficar por fora e aproveitar os dias de sol.

Claramente o churrasco berlinense não é igual o brasileiro: não tem picanha, farofa, arroz e salada de maionese. Mas tem uma variedade de espetinhos queijo, milho, salsichão, pão de alho, enfim, não faltam coisas para levar para a churrasqueira – e há sempre a opção de preparar os próprios espetos!

Daí é só juntar a galera, levar algumas cangas, sua bebida preferida (lembrando que a bebida vai ficar quente, então tem que saber escolher), reunir os amigos e cachorros e curtir a tarde de boas no parque. Aproveitamos ainda mais o dia com o horário de verão – escurece lá pelas 21h – e tivemos um dia deveras gostosinho, num clima bem berlinense (e o custo bem baratinho).