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um bom livro pra ler em qualquer lugar

a última vez que escrevi tinha decidido desativar minhas redes sociais (bons tempos). durou cerca de três meses e durante esse tempo, usei as horas que ganhei para desentulhar uns bons livros que há tempos ficaram parados no meu Kindle; pra pensar na vida e surtar algumas vezes; estudar alemão que vez ou outra dou uma negligenciada; e fazer umas coisas diferentes por aí. pra mim foi bem doido administrar ansiedade que estar “de fora” causa; um medo de estar perdendo alguma coisa, enquanto todo mundo em volta está checando o celular com certa frequência.

mas depois de três meses, caí na tentação e, uma vez mordido o fruto, acabei por me lambuzar. reinstalei Twitter, Instagram e Pinterest, estava oficialmente de volta, e por consequência, voltei também a perder algumas horas da minha vida. tirei algumas conclusões (óbvias) com essa mini experiência: a gente perde muito tempo consumindo NADA, e acaba sendo meio irracional, talvez como um alívio ou como vício mesmo, sei lá. certas redes ou notícias ou perfis podem ser tóxicos (odeio usar essa palavra) dependendo do tipo de conteúdo que se consome e do estado de espírito que você se encontra; muitas vezes que eu acessava qualquer rede, passava raiva e me sentia mais negativa do que aliviada.

talvez eu nunca consiga sair de todas as redes, mas agora tento deixar o máximo que posso um ambiente saudável, consumindo um conteúdo que vai me deixar pra cima, que eu possa aprender alguma coisa, seguir pessoas/perfis que admiro e me inspirem, coisas que vão me dar a sensação de que pelo menos não perdi tanto tempo assim. não é fácil, mas sigo ajustando e acho que dá para encontrar um meio termo, onde eu não precise me abster mas também não me faça falta. é o famoso tentar achar o equilíbrio das coisas.

esse ano acabou se tornando o ano dos livros para mim. assim como Lula,  aproveitei o tempo que tinha livre pra ler alguns livros (até o momento – Agosto – li 24 livros). lembro que quando era mais nova não gostava muito de ler. Invejava minha irmã porque ela sempre estava lendo e com prazer, e eu sempre fui cobrada para também ler muito, mas eu sempre tive isso como uma obrigação. não me culpo. quando a gente é jovem, empurram pra gente ler Machado de Assis ou Eça de Queiróz. não que suas obras sejam ruins, muito pelo contrário, mas envolve toda uma complexidade e interesse que a jovem Dayana não tinha.
Esse ano reaprendi a ler. li coisas que eu realmente queria, que fui buscar, coisas do meu interesse. coisas que tem a ver comigo e com todo esse descobrimento que faço de mim e do mundo a cada momento.

ai Gabi, só quem viveu sabe! quem viveu nos anos 90 sabe como era entrar na internet, abrir o Kazaa e baixar uma música, ou ao menos tentar e torcer pra conexão não cair e/ou a música baixada ser a mesma que a escolhida. esse livro conta como a história da pirataria começou na internet e vai desde a criação do mp3 até o formato que a gente conhece hoje, pelo Spotify. conta toda a invenção, o mercado musical e a ilegalidade da distribuição das músicas. é muito legal pra quem viveu essa experiência dos anos 90, de fazer downloads de CDs completos pelos sites ilegais e também é legal pra entender toda essa linha do tempo que foi curta, porém cheia de histórias.

o livro começa com um crime: duas crianças são mortas pela sua babá (não é spoiler, é a premissa do livro). tem uma narrativa um tanto quanto perturbadora, é um livro intenso que descreve bem as situações e que te leva pra dentro da história. toda história acontece num cenário onde a mulher é colocada em segundo plano por conta da maternidade; abre a mão da sua vida, da sua profissão e é completamente negligenciada e pressionada pelo marido para assumir o papel de mãe. fala sobre diferença social, do papel da mulher na sociedade, das diferenças de classe e tem um assassinato. é um livro intenso e ótimo para ser devorado.

esse livro conta várias pequenas histórias sobre o cotidiano feminino nos presídios e nos traz a realidade da vida de mulheres nessa situação. são histórias de amor, de companheirismo, de liberdade; mulheres que são marginalizadas por estarem presas, por estarem grávidas de presos. excluídas por suas famílias e parceiros, excluídas pela sociedade, negligenciadas pelo Estado. além disso, mostram histórias de corrupção, torturas, as condições precárias que se vivem. é uma pancada que nos faz pensar fora da nossa bolha do começo ao fim, e nos faz compreender o que leva o ser humano ao limite.

A mudança

Mudar já é uma coisa difícil. Quanto mais espaço temos, mais a gente junta bagunça. Já mudei na vida umas 4 vezes na vida e o processo sempre envolve muita bagunça e se desfazer de muita coisa que no fundo não usamos pra nada.

Mas essa foi a primeira vez que mudei de país, ou seja, todas as coisas que teria que trazer teriam que ser de extrema importância, caber dentro da mala e dentro dos 32 kilos que a companhia aérea permite – sem ter que pagar adicionais, é claro! Como passamos por isso recentemente, vou deixar aqui algumas coisas dicas do que dá pra levar e do que dá pra deixar:

  • Objetos pessoais: leve! fotos, quadrinhos, ímãs de geladeira. Coisas que fazem casa parecer casa, que fazem você lembrar dos amigos, da família, que faz se sentir bem, leve. A gente recebeu esse conselho de pessoas que moram fora e realmente faz sentido. Essas pequenas coisas são as que vão fazer mais sentido levar.
  • Roupas: a não ser que você ame, tenha um apego sentimental ou vá pra algum lugar com as mesmas temperaturas daonde você já mora, as roupas são totalmente descartáveis. No nosso caso, viemos pra um lugar com a temperatura completamente inversa. Estamos vivendo inverno aqui (Berlim) que é muito diferente do inverno do Brasil, então todas as roupas foram descartadas, bem como sapatos. Então faz uma pesquisa antes do que você realmente quer levar, porque levar pra não usar vai ser só pra acumular mesmo.
  • Roupa de cama: vale a mesma máxima da roupa: se as condições climáticas não forem iguais as daonde você mora, não vale a pena levar. Ocupa um super espaço na mala e são coisas que dá pra comprar praonde você vai, então pondere.
  • Utensílios domésticos: A mesma coisa, né!? Pra não falar que não trouxemos nada, trouxemos duas xícaras que tínhamos um apego, então entra mais na categoria objetos pessoais.
  • Remédios: obviamente se tiver uso constante, leve o máximo possível. Mas remédios como anti-inflamatórios, algumas vitaminas, remédios pra dor de cabeça enfim, são sempre bem vindos. A primeira coisa que fiz quando cheguei em Berlim foi ficar menstruada. (Sim, eu tenho essa “mania” em viagens). Já era tarde da noite e, pra ajudar, minha menstruação vem acompanhada de uma cólica demônia. Por sorte, trouxe no “kit de remédios”, remédios pra cólicas e absorvente. (Você sabe como é absorvente em outras línguas? Pois é, é uma coisa que tive que aprender hahaha)
  • Cosméticos: sempre bom levar, pois não se sabe se vai encontrar o que você está acostumada. Antes de ir, meus cremes já estavam no final e quando cheguei aqui tive que comprar novos, o que não foi bom pois até achar algum que funcione com você (creme, shampoo, condicionador), pode demorar.

Deu pra ter uma ideia, então viaje com o básico, se livre de coisas que não precise. Venda as coisas “preciosas”, doe o que puder doar. Não se apegue aos bens materiais, pois na primeira semana sem eles, você vai perceber que não precisava de mais do que metade das coisas que tem. Menos é mais e nesse caso, mais espaço na mala, mais espaço pro novo.

Ah, e se prepare pra grande bagunça que vai ficar na sua casa nos dias que antecedem a mudança, não será fácil desapegar de muitas coisas. Se puder contratar alguém pra organizar as coisas por você, não pense duas vezes. Mas vale ressaltar que a técnica da Marie Kondo de organização vale bastante: leve somente as coisas que te deixam feliz.

Amo tatuagem e vou defendê-la

Amo tatuagem e isso nunca foi segredo pra ninguém. Minha família, assim como muitas famílias tradicionais brasileiras, sempre olhavam com olho torto e falavam mal de quem tinha, mas isso nunca me impediu de fazer uma (ou várias). Assim que completei 18 queridos anos e consegui juntar uma grana, fui atrás de um studio bacana para fazer a minha primeira.

Antigamente não dava pra marcar online e a divulgação dos studios não era tanta (e esse antigamente que eu digo é por volta de 2007), então o jeitinho de descobrir os studios era passando na frente, entrando e vendo o trabalho do artista. Ah, indicações também eram sempre bem vindas. O preço da tatuagem era alto para quem queria um profissional bom de traço (nada diferente de como é hoje).

Screen Shot 2016-08-31 at 6.41.30 PMA internet não era tão internetuda como é hoje, então não existia isso de levar suas inspirações e desenhos de vários lugares. O jeito antigo era olhar no livrinho os desenhos do tatuador e se quisesse alguma mudança, falar com ele na hora, mas sem sair muito da “receita de bolo”. Meu primeiro desenho foi assim, escolhi uma fênix do caderno do tatuador e como o tamanho que queria era maior do que o tamanho do livro, ele fez o desenho da cauda a olho e, cá entre nós, é a parte que mais gosto.

Screen Shot 2016-08-31 at 6.40.13 PMMinha segunda tatuagem os tempos já eram outros(5 anos atrás). O agendamento ainda era indo no studio, mas antes de chegar lá já tinha na interwebs muitas informações sobre o tatuador, desenhos disponíveis em sites, opiniões dos tatuados, um direcionamento do preço. Pra essa, levei várias inspirações de desenhos para que o tatuador chegasse no meu. A experiência foi bem diferente da primeira, mas foi ótimo!

Screen Shot 2016-08-31 at 6.39.34 PMessa ultima tattoo que fiz, meu atendimento já foi completamente online. Falei com a tatuadora sobre o que queria, como queria, ideias e inspirações tudo virtualmente. Só nos encontramos na hora de tatuar e o desenho só foi mostrado nesse momento. Uma experiência completamente nova e para mim super positiva, que envolveu o friozinho na barriga de tatuar e toda a surpresa que rolaria pra ver a tatuagem desenhada de um jeito só dela.

Sigo trocentos perfis de tatuadores no Instagram e a minha vontade é fazer uma tattoo por mês ( mas minha situação financeira, ela não permite) e escolhi alguns para deixar aqui como dica e como inspiração para quem tem vontade de tatuar também:

andrezinho

@andrezinho_tattoo

Foi com ele que fiz minha primeira tattoo, então rola um sentimentalismo/nostagia também, mas os desenhos dele evoluíram conforme o tempo e com certeza faria mais uma com ele. Uma pegada mais preto e branca, manda bem nos traços finos e nas mandalas – que são as tão queridas da vez -, ele tatua no studio FIRST LINE TATTOO aqui em SP na Rua Casa do ator, 675  Vila Olímpia

naniscaranto

@naniscaranto

Comecei a seguir recentemente e a surpresa foi muito boa. Sou apaixonada nos traços delicados e ela manda muito bem. Os desenhos são bem originais, bem na pegada ornamental, meio indiana e ela tatua no studio do Led’s Tattoo, também em SP na Av. Ibirapuera, 3478.

samantha

@samanthatattoo

Meu namorado fez a ultima tattoo dele no Sampa Tattoo e lá descobrimos um monte de tatuadoras (sim, só meninas) e todas muito foda. Antes na Augusta, agora com studio ampliado no Itaim, na Rua Benedito Lapin, 200 – Itaim. Escolhi o da Samantha porque ela tem uma variedade de estilo que vai de aquarelados a florais, minimalistas, traços finos, coloridos.

felipexsanto

@felipexsanto

Esse instagram sigo faz um tempo e ele é bem popular, então talvez seja difícil marcar horários, mas a pegada da tattoo é mais pro lado geo métrico e uns traços mais rabiscados. Eu curto bastante, mas é questão de estilo. Assim como tem gente que prefere a tattoo com traços mais finos, tem gente que gosta dessa que é um pouco mais “suja”, mas cheia de estilo e personalidade. Ele é tatuador do studio True Rise Tattoo, na Rua Cavour, 271- Vila Prudente.

otavioss

@otaviosstattoo

Minha prima de Aracajú tatuou com o Otávio e teve uma experiência positiva. Há muito tempo eu vejo o Instagram dele e curto bastante os traços e desenhos. Com desenhos únicos e exclusivos, ele tatua no studio do Mocambo Tattoo, que fica na Vila Olímpia Rua Fidencio Ramos, 101.


E para se encher de inspiração e motivar a fazer aquela nova tattoo, clica aqui no board do Pinterest que criei com algumas das belezuras que vi por ai!

 

Pickles

Há mais ou menos um mês atrás recebemos um novo integrante na família: o Pickles. Depois que mudamos queríamos ter um bichinho pra completar a família, porque a casa fica muito mais animada com um pet, mas a gente ainda tinha muitas dúvidas entre gato e cachorro e também os dois estavam trabalhando e ai ficamos com dozinha de deixar o futuro integrante sozinho.

PicklesPassou um tempo e eu sai do emprego e decidimos que era a época ideal de anexarmos mais um membro pra dentro de casa e eis que surgiu o Pickles. Na verdade, muitas idas ao parque brincando com cachorrinhos alheios nos aguçaram ainda mais a querer um cachorrinho. Pegamos ele muito pequenininho ainda e olha, digo que não é fácil! Pra quem quer um cachorrinho, aviso que o começo é difícil  (isso porque ainda estamos no começo). Tem que aguentar algumas primeiras noites de choro, muitos xixis e cocos fora do lugar, chinelos mordidos… Mas tem todo o lado bom de encher um cachorrinho de carinho, ser recebida com lambidas e rabinho abanando <3 Muito amô!

Quando ele chegou em casa

Tem que ter bastante paciência no começo, porque o Pickles por exemplo, tem dias que acerta todos os xixi’s, morde só os brinquedinhos e dorme que nem um bebê… Mas tem dias que não tem quem pare ele… corre com chinelo na boca, morde a mão, faz xixi no tapete. Ai tem que respirar fundo e limpar tudo sem matar o danado. Fora comprar ração, dar a comida mais certinho nos primeiros dias, comprar brinquedinhos…

É difícil? É… Mas também é maravilhoso.

Agora a gente está na contagem regressiva pra ele tomar todas as vacinas e poder ver o mundo, passear com ele, brincar com outros cachorros!

Eu nunca tive cachorrinho, então to aprendendo tudo agora… Tenho um monte de link salvo do Dr. Pet e da Cobasi hahaha. Mas, do que eu aprendi, vou deixar algumas dicas pra quem quiser ter um cachorrinho:

  1. Pra cachorro, quem puder ficar pelo menos o primeiro mês com ele é mais fácil, que ele aprende o xixi/coco e entende o funcionamento da casa mais rápido. O Pickles já sabe fazer as necessidades dele na fraldinha e raramente erra 🙂
  2. Comida também tem que ter horário, porque os filhotinhos são muito esganados. Na primeira semana do Pickles em casa ele teve uma pequena intoxicação alimentar, porque comeu muito 🙁
  3. Muitos brinquedos de borracha pra ele morder, até porque quando começa a nascer os dentinhos, fica impossível controlar o que ele morde ou não… então quanto mais brinquedo, melhor pra ele e pros móveis.
  4. Quem puder deixar o pet dormir no quarto com você, melhor. O Pickles acordava muito de madrugada quando a gente deixava ele na sala (que é do ladinho do quarto). Quando colocamos a caminha dele com a gente, ele consegue dormir a noite toda, o que é melhor pra gente e pra ele… E acorda só de manhã pra comer.

Agora é só esperar ele crescer, e assim que ele crescer mais e eu for descobrindo mais coisas, atualizo aqui 🙂

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Pickles com 3 meses de vida

 

Trabalho é tudo?

Estava no banheiro do trabalho essa semana e comecei a ouvir a conversa de duas mulheres recém chegadas de férias. A primeira, que aqui vou chamar de Ana (até porque nem sei o nome dela) começou a falar sobre sua viagem, da importância das férias, de que foi bom ter passado um tempo com a família e que viajar é tudo de bom! – Até aí sem novidades.

A segunda, que aqui vou chamar de Maria, manteve o discurso igual, falando com um pouco mais de detalhes sobre o que viu e fez na viagem, com sua filha, seu marido, seu cachorro…Ana e Maria ficaram uns 10 minutos falando sobre isso, rindo e felizes. Tanto blá blá blá que tudo soava no tom mais superficial possível, de quem na verdade não tinha aproveitado nada do que contara.

Até que por fim, Ana fala que o melhor de tudo é que agora ela está de volta e pode retomar a rotina. Que o melhor é ter a rotina de volta e saber que está tudo lá, como ela deixou. Maria concordou, e as duas saíram rindo, mais felizes do que quando contavam sobre suas viagens, mais verdadeiro.
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Daí eu fico me perguntando até que ponto vale as pessoas se entregarem mais ao trabalho do que aos prazeres da vida? Encher a boca pra falar que está ocupado ou que tudo depende dele e não encher pra falar sobre família/viagem?!

Eu sou o tipo de pessoa que sim, tenho que trabalhar (não nasci rica) e acredito que o trabalho nos proporciona conhecimento e agrega valores que realmente faz a diferença… mas isso é apenas uma parte da minha vida. Faço questão de ter outras partes mais importante com viagens, amigos, família, namorado…. Essas partes que me deixam mais feliz e mais viva.

Recebi esse texto aqui que completa o que eu escrevi e acho que vale a reflexão…