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Mais um textão reflexão

Vez ou outra já ouvi meu pai contar sobre ter o sonho de ser desenhista. Ele adora desenhar, brinca de desenhar os colegas de trabalho, fazer caricaturas. Quando era pequena e desenhava, ele super me incentivava e era um momento que tínhamos em comum. Por causa dos filhos, da família e da sociedade, ele “precisava” de um emprego estável que garantisse o sustento da família e dinheiro para pagar as contas.

Já minha mãe conta que sempre quis ser professora. Ensinava as crianças do bairro desde quando ela também era criança. Talvez por conta da sociedade machista, ela teve oportunidade de se dedicar em um trabalho que não fosse o principal sustento da casa (sabemos muito bem que o salário de professor não é nada bom) e que ela amava.

Assim como meu pai, conheço outros vários pais, tios e avôs que não trabalharam no que de fato gostavam. E assim como a minha mãe, conheço outras tantas mães, primas e tias que fazem o que gostam. Não existe uma regra.

e5fe2872ee1270ba6174767a1db6a7f9O modo em que vivemos hoje nos trás muito mais oportunidades do que o modo em que vivia meu pai, tio, avô. As pessoas se casavam e tinham filhos mais cedo, o homem era obrigado a prover o sustento e trabalhar sempre, o hobby era completamente separado de trabalho. Hoje a geração X, Y, Z, baby boomers ou sei lá em qual mais existe, tem mais oportunidades para fazer e desfazer quando o assunto é profissão. Temos novas carreiras, temos novos planos, temos a opção de inventar outros empregos, tem-se o fator internet que muda e mobiliza tudo que precisamos.

Ainda existe a pressão dos pais e da sociedade para termos um emprego estável, uma carreira consolidada e um salário digno. Falar para as pessoas que seus sonhos são diferentes, suas ambições são menores e que você vai largar tudo pro alto pode ser tomado como uma grande afronta ou estupidez da sua parte.

Mas temos essa opção.

Digo isso pois sempre que ouço as histórias como a do meu pai, imagino uma pessoa que aguentou 30 anos de trabalhos tristes, sofridos e pesados. Vejo o brilho triste nos olhos e certo arrependimento de não ter feito o que desejava. Aqueles anos que se passaram foram perdidos e talvez seja tarde de mais para se fazer o que se ama (e na verdade não é).

E reflito constantemente, desde quando escolhi largar tudo que conhecia como profissão e começar do zero, completamente sem norte, vejo que ainda assim foi a decisão mais certa e mais feliz que tomei. Todos os dias tenho as borboletas no estômago, e ainda estou muito longe de ter algo concreto, de ter ou saber o que quero, mas mesmo assim me sinto feliz e realizada. Fazer o que eu gosto, ver que as pessoas gostam, acreditam e incentivam me faz mais do que realizada. Mesmo não ganhando 1/10 do que ganhava no trabalho anterior, a recompensa é muito maior, acredite.

E aí eu deixo a pergunta pra você agora: Você está feliz e recompensado pelo que está fazendo agora?

O que você quer ser quando crescer?

Acho que essa é a pergunta mais feita quando você é criança pelos pais, tios e avós: “O que você quer ser quando crescer?”. Da primeira redação da pré escola até o curso pra preencher no vestibular, essa pergunta nos segue por mais ou menos 17 anos e nem sempre sabemos qual a resposta certa (se é que ela existe).

Quando criança, os sonhos são o de ser o mais forte bombeiro, o mais esperto detetive ou até mesmo trabalhar no supermercado porque é muito maneiro andar de patins o dia inteiro (quem nunca?). Mas aí você vai crescendo e a pressão vai aumentando… Então sempre que você pensa numa profissão, você pensa no que condiz com a sua realidade. Por exemplo, na 6º ou 7º série se você joga bem futebol, você vai ser jogador de futebol; se você manda muito bem em ciências, você vai ser um cientista e se você é magrinha e bonita vai dar uma modelo e tanto! Raramente alguma criança pensa em ser um programador de .NET, um engenheiro mecânico ou um contador.

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Mas, quando chega o ultimo ano da escola, você se depara com uma infinidade de cursos e tem que escolher um pra seguir carreira a vida toda. Você passa 17 fucking anos fazendo coisas aleatórias, sem necessariamente ter relação com profissão nenhuma, só coisas que te deixam feliz, mas em um ano você tem que apostar todas as suas fichas numa profissão X.

Aí o jogador de futebol vira analista de sistemas, o cientista vira administrador de empresas e a modelo vira agente de viagens. Não que eles não estejam satisfeitos com suas profissões, muitas vezes estão, mas e os que não estão? E os que escolheram porque tinha que escolher? Os que tiveram que guardar seus sonhos e vontades em uma caixinha esquecida lá no porão, e TEVE QUE trabalhar no que dá dinheiro, na área que tinha muito emprego, no que dava mais segurança e estabilidade.

Sim, eu fui uma dessas criancinhas que virou um adultinho perdido, que FEZ O QUE TINHA QUE SER FEITO e só depois percebeu que não fazia sentido. E foi preciso coragem, oportunidade e muito apoio de quem me conhece e sabia o que eu tava passando para que eu largasse mão do “seguro” para procurar o que me fazia feliz (e ainda estou na busca). Por muitos anos sabia que não estava fazendo o que gostava, mas sempre inventava uma desculpa pra mim mesmo adiando ir atras dos meus sonhos, mesmo não sabendo de fato quais são. Acabei gastando dinheiro, tempo e me desgastando esperando o momento certo.

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A maior descoberta que fiz até agora foi descobrir que o momento certo só existe quando você faz daquele o momento certo. Foi preciso abrir mão de algumas coisas para conseguir outras, como a gente faz com tudo na vida. Longe de mim esperar encontrar o trabalho perfeito. Eu sei muito bem que trabalho não é parque de diversões, e que dá TRABALHO, mas tenho convicção que temos que procurar algo que faça sentido pra gente, pra que por mais que dê muito trabalho, ainda assim faça sorrir e dê a maior satisfação no final do dia.

Ainda não sei responder a pergunta: “O que quero ser quando crescer?” , mas lembro que quando criança, por muito tempo a resposta foi: ” Quando crescer quero ser o Pato Donald“.