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Intensidade

Chega, abre a porta, deita e dorme.
Hoje aqui é seu lar.

Aqui comigo.
Temos pouco tempo.
Então não se incomode em dizer se lhe faltar algo.

Não quero nada em troca.
Ou melhor, quero sim.
Quero trocar carinhos, lembranças e histórias.
Quero ganhar seu colo, seu abraço.

Não se preocupe que eu preparo o café da manhã.
Hoje eu sou a anfitriã.
Quero que você se sinta em casa.
E que se sinta a vontade pra voltar.

A gente é tão diferente agora.
Mas o nosso passado é o que nos une.
É o que faz você vir aqui hoje.
É o que faz eu sentir sua falta.

Me preocupo em te mostrar que estou bem.
Me preocupo em colecionar sorrisos nossos.
Me preocupo em saber quanto vai demorar pra você voltar.
Mas fico feliz que você veio.

Vou lembrar do cheiro que você deixou por aqui.
E das pequenas coisas que fizemos.
Dos passeios despretensiosos.
Das danças no meio da rua.
Da nossa cumplicidade.

Mas espero você não muito longe de hoje
Pra uma próxima visita.
Porque meu peito esvazia muito rápido quando você está longe.

2017, um ano de transformação

2017 foi um ano de metamorfose.

Foram 12 meses de transformações, começos e recomeços, de despedidas, reencontros, muitos sorrisos e muitas lágrimas, conexão, descobrimento – o maior deles, sobre eu mesma.
Foram 12 meses que encontrei em mim uma criança, com olhar de descobrimento de um novo mundo, desbravando o desconhecido – e muitas vezes tendo medo disso-, experimentando novos sabores, novas experiências.
Foram 12 meses que também encontrei em mim uma mulher, me livrei de algumas âncoras, encontrei poder dentro de mim, procurei saídas e soluções – que vezes encontrei, vezes não -, amadureci ideias, pensamentos, atitudes, opiniões.

Durante esse ano preenchi alguns espaços que ficaram vazios.
Inspirei novos sentimentos.
Descobri que vida não segue planos.
Não foram tudo flores.
Não foram tudo espinhos.

Foi um ano um tanto esquisito; um ano que não fiquei confortável, mas todo esse desconforto me fez amadurecer. Termino esse ano convencida que cresci bastante e eu encontrei eu mesma dentro de toda essa bagunça. O ano termina e eu saio dele completamente diferente de como entrei, e fico muito feliz com isso tudo.

Mais um textão reflexão

Vez ou outra já ouvi meu pai contar sobre ter o sonho de ser desenhista. Ele adora desenhar, brinca de desenhar os colegas de trabalho, fazer caricaturas. Quando era pequena e desenhava, ele super me incentivava e era um momento que tínhamos em comum. Por causa dos filhos, da família e da sociedade, ele “precisava” de um emprego estável que garantisse o sustento da família e dinheiro para pagar as contas.

Já minha mãe conta que sempre quis ser professora. Ensinava as crianças do bairro desde quando ela também era criança. Talvez por conta da sociedade machista, ela teve oportunidade de se dedicar em um trabalho que não fosse o principal sustento da casa (sabemos muito bem que o salário de professor não é nada bom) e que ela amava.

Assim como meu pai, conheço outros vários pais, tios e avôs que não trabalharam no que de fato gostavam. E assim como a minha mãe, conheço outras tantas mães, primas e tias que fazem o que gostam. Não existe uma regra.

e5fe2872ee1270ba6174767a1db6a7f9O modo em que vivemos hoje nos trás muito mais oportunidades do que o modo em que vivia meu pai, tio, avô. As pessoas se casavam e tinham filhos mais cedo, o homem era obrigado a prover o sustento e trabalhar sempre, o hobby era completamente separado de trabalho. Hoje a geração X, Y, Z, baby boomers ou sei lá em qual mais existe, tem mais oportunidades para fazer e desfazer quando o assunto é profissão. Temos novas carreiras, temos novos planos, temos a opção de inventar outros empregos, tem-se o fator internet que muda e mobiliza tudo que precisamos.

Ainda existe a pressão dos pais e da sociedade para termos um emprego estável, uma carreira consolidada e um salário digno. Falar para as pessoas que seus sonhos são diferentes, suas ambições são menores e que você vai largar tudo pro alto pode ser tomado como uma grande afronta ou estupidez da sua parte.

Mas temos essa opção.

Digo isso pois sempre que ouço as histórias como a do meu pai, imagino uma pessoa que aguentou 30 anos de trabalhos tristes, sofridos e pesados. Vejo o brilho triste nos olhos e certo arrependimento de não ter feito o que desejava. Aqueles anos que se passaram foram perdidos e talvez seja tarde de mais para se fazer o que se ama (e na verdade não é).

E reflito constantemente, desde quando escolhi largar tudo que conhecia como profissão e começar do zero, completamente sem norte, vejo que ainda assim foi a decisão mais certa e mais feliz que tomei. Todos os dias tenho as borboletas no estômago, e ainda estou muito longe de ter algo concreto, de ter ou saber o que quero, mas mesmo assim me sinto feliz e realizada. Fazer o que eu gosto, ver que as pessoas gostam, acreditam e incentivam me faz mais do que realizada. Mesmo não ganhando 1/10 do que ganhava no trabalho anterior, a recompensa é muito maior, acredite.

E aí eu deixo a pergunta pra você agora: Você está feliz e recompensado pelo que está fazendo agora?

Cada um oferece aquilo que pode

Cada um oferece aquilo que pode, e essa é uma verdade que aprendemos quando amadurecemos, mas que em muitas vezes relutamos em aceitar. Quantas vezes não esperamos mais dos nossos amigos, dos nossos paqueras, da nossa família. Queremos ouvir mais palavras de amor, queremos mais atitudes, queremos menos enrolação.

Esperamos receber o que queremos e nem sempre isso acontece. Aí nos frustramos com as pessoas, ficamos bravos, desfazemos amizades e comprometemos relações. Mas isso não quer dizer que as pessoas estão erradas e sim que você meu caro mimadinho está esperando demais das pessoas.

89b5eba3eb544f9445d9d63ca83b5e2fA verdade é que as frustrações que temos na vida (por esses motivos) são única e exclusivamente nossa culpa. Aquele velho ditado “não espere muito das pessoas” (mas sem o tom pedante ou irritado) é real, não devemos jogar nossas expectativas em ninguém além de nós mesmos. Tem pessoas que vão nos oferecer mais do que queremos, tem pessoas que vão oferecer menos, assim como nós vamos fazer também.

Isso não significa que as pessoas não gostem de você, não te amem ou não te apoie. Só significa que elas talvez não atendam suas expectativas e tudo bem. Ela vai fazer o que pode dentro do que ela pode. Você não sabe se o que a pessoa está te dando é o mundo dela e pra você pode não ser nada.

Então, meu conselho é faça o que tenha que fazer e deixe que as pessoas te ajudem do jeito que elas puderem. Não espere nada, receba muito. Evite as decepções, não coloque esse peso sobre as pessoas, aceite que cada um doa o que pode doar naquele momento, não espere nada em troca e doe tudo o que você puder doar para quem você ama.
Viva mais leve e feliz.

 

Agradar

Ele sempre fez questão de agradar todo mundo.
Agradava aos pais, sempre voltando no horário que pediam, forrando a cama após acordar, comendo sempre salada e vegetais. Agradava os irmãos, cedendo sempre as brigas, fazendo suas vontades. Agradava a família, sempre indo as festas que não queria ir e conversando com aquela tia que ninguém gostava de conversar.

No trabalho, sempre agradava ao seu chefe, trabalhando até tarde, cuidando de problemas que não eram dele. Agradava a equipe, sempre trazendo alguma coisa para o café da manhã. Agradava a todos, sorria para quem não conhecia, fazia o que não queria. Nunca soube como dizer não as pessoas, e sempre fazia o que era preciso para não desaponta-las.

Agradou todo mundo que não sabia mais como agradar a si mesmo. Se perdeu dentre os desejos dos outros que desconhecia os seus. Não sabia mais o que realmente lhe fazia feliz, não sabia o que lhe movia, não sabia quem era seu verdadeiro eu. Vivera sempre sua vida para outras pessoas que já não sabia qual era sua verdade, nem esperava o que esperar.

Seguiu a vida assim.