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Luana livre

Luana sempre foi uma menina livre.
Desde pequena tinha a liberdade de escolher entre os vestidinhos cor de rosa que ela tinha, tinha a liberdade de escolher qual boneca brincar e qual brincadeira de menina que queria participar. Luana era livre para não participar dos jogos com meninos, era livre para ajudar a mãe nas tarefas domésticas e tinha total liberdade para não falar de futebol com os amigos.

luana - livreLuana cresceu e ficou mais livre para exibir toda a feminilidade, livre para vestir seus vestidos quando se sentia segura, livre para escolher a cor do batom desde que não chamasse muita atenção. Era livre para namorar um “rapaz de bem”, livre para ter filhos, mesmo não querendo muito, livre para ter uma casa própria, apesar de ter que abrir mão do sonho de viajar por alguns anos, livre para ter um emprego em uma grande corporação, mesmo querendo trabalhar em seu próprio ateliê

Luana era livre para escolher fazer da sua vida o que bem entendesse, exceto se outras pessoas não achassem que suas escolhas fossem normais.

Luana sempre foi livre.
Mas o que ela não sabia é que seu mundo estava dentro de uma gaiola.

Dance, sem saber dançar

Dançar é uma atividade que está presente na minha vida desde que eu era pequena. Na escola tinha aulas de dança (axé e street dance se bem me lembro) e sempre procurei fazer. Isso fez de mim uma pequena dançarina? Claro que não. Era uma das criancinhas descoordenadas, que a professora mandava para o fundo da sala a fim de não atrapalhar o fluxo da aula, e nunca me ofendi por isso. Na minha família sempre fui tida como “dura”, sem remelexo e todos os primos já riram muito de mim dançando.

Depois na adolescência, quem viveu fortemente os anos 90 deve se lembrar: todo mundo dançava axé e nos programas da tarde sempre passava os passinhos e eu tentava fortemente acompanhar em frente a TV. No colégio, na hora do intervalo, tocava os axés mais famosinhos (como É o Tchan!, Terrasamba, Harmonia do Samba…) e a galera dançava fortemente, e eu ficava lá no meio, fazendo feio ou fazendo bonito, tentando aprender alguma coisa.

Bom, depois de grande já tentei fazer aula de Zouk, Zumba, Sh’bam, Dança Fitness, enfim qualquer aula que tenha música (e que de quebra eu perca uns quilinhos) e sempre me descubro descoordenada. Mas nunca deixei de dançar por isso, pelo contrário.

Dançar sempre me fez muito bem, mesmo eu não fazendo isso muito bem. Dançar me deixa livre, me deixa leve, me deixa relaxada. Depois de dançar, seja em aulas na academia, na balada com os amigos ou aqui na sala de casa, eu me sinto mais feliz e mais animada.

Então esse post é pra você que, se assim como eu, não sabe fazer alguma coisa, continua fazendo mesmo assim. Não preciso saber os passos, não preciso acompanhar a classe e não ligo pra quem me olha esquisito, apenas danço. Danço, me divirto, me solto e fico feliz com isso.

Hoje vejo as pessoas dançando de vários jeitos e por mais engraçados ou esquisitos que parecem ser, é o momento que mais vejo as pessoas livres, leves e felizes. Para as coisas que nos fazem felizes na vida são assim, não precisa ser expert para fazer algo que te faz bem.

A tal da sociedade

Eu não sei o que é pior, se a sociedade ou se as pessoas que tentam se “encaixar” nela. São tantas regras cagadas que estão por ai, que já não fazem mais sentido – e me arrepia o fato de saber que talvez um dia elas fizeram -, mas tem muita gente por ai que ainda tenta (mesmo que não feliz com isso) engolir, aceitar e passar os ideais cagados pra frente.

1be58bfb1275c372fcd1ace582e03a95A sociedade diz que mulheres de bem não ficam transando por ai, que ficar em um emprego estável te faz ser uma pessoa melhor, que ter carro do ano é excelente, não importa o tão pouco dinheiro que você tenha nem o tanto que tenha que trabalhar para isso. Iphone 6s só pessoas bem sucedidas têm; casa própria só os esforçados e os focados em suas carreiras profissionais conseguem.

O certo ao conhecer um cara é não demonstrar que gostou dele de primeira e só responder no whatsapp depois de alguns minutos ou horas. O certo depois de conhecer uma menina legal é só transar com ela o máximo de vezes e contar pros amigos que não está nem um pouco interessado em namorar. O certo é namorar depois de x encontros, apresentar pra família depois de x tempo, ficar noivo e depois casar – mesmo se decidir no meio do caminho que não gosta mais da pessoa.

Ah, essa danada de sociedade que diz que tem que trabalhar em um lugar super conservador que não deixa você assumir sua homossexualidade. Que faz piadas machistas e fica secando e mexendo com mulheres na rua como se não ofendesse. A sociedade que julga quem vai morar junto e não casa na igreja, que demoniza quem não tem religião, que olha torto quando vê alguém coberto de tatuagens e piercings. A sociedade que te protege porque você tem mais dinheiro, que manda você trabalhar no que você não gosta, pra sustentar os filhos que você não pretendia ter tão cedo.

9508c13064b32042c36d608a7c324ff0Essa sociedade que tanto julga, tanto sufoca, tanto oprime e tanto caga regra que você se esforça tanto pra entrar? É nessa sociedade que você quer ser o garoto (a) exemplar? Eu prefiro fazer parte de uma sociedade diferente, sem diferenças, sem padrões que já não nos cabe e não nos representa. Quero (e sou) parte de uma sociedade sem tabus, sem crenças limitantes, livre de tudo que não nos faz ser quem somos de verdade.

De fato, tirar as amarras que tanto nos seguraram até hoje não é fácil, mas também não é impossível. Vamos ser livres, viver e deixar viver e fazer com que a “tal da sociedade” seja realmente representativa e algo que nos deixe mais felizes. Qual sociedade você quer pra você?