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Sobre estupro

Semana passada foi feita uma pesquisa super polêmica e com o resultado mais polêmico ainda, realizada pelo IPEA e divulgada pelo Estadão. O principal resultado da pesquisa trouxe que:

65% dos brasileiros acham que mulher de roupa curta merece ser atacada

Milhões de comentários e debates sobre essa pesquisa estão sendo debatidos em sites, na time line do Facebook, blogs, twitter.. E não tinha como ser diferente. Inadmissível viver nos dias de hoje com esse tipo de pensamento na sociedade.

Ninguém merece ser vítima do estupro. Ninguém tem culpa de ser estuprado. Aliás, a culpa é unica e exclusivamente do estuprador. É muito chocante que a maioria das pessoas achem que realmente a mulher tem culpa, que o jeito de se vestir e agir dá direito de acontecer um ato tão nojento, tão criminoso! Dá vergonha de ver que a pesquisa aponta as mulheres como erradas, que vivemos numa sociedade com o machismo tão enraizado e que as pessoas acreditam mesmo que há uma razão para o estupro. Apenas que, dá vergonha… Me faltam palavras pra expressar tamanha vergonha, indignação e tristeza que me dá quando o assunto é esse.

Vamos pegar os exemplos que temos em casa. Sua mãe, sua irmã, sua tia, sua filha. Se alguma delas sair com “a roupa certa para o estuprador”, quem tá errado nessa situação? Essa “cultura do estupro” tem que acabar! Ainda não me entra de jeito nenhum na cabeça que esse tipo de assunto é debatido no sentido inverso, que estamos caminhando pro contra, não estamos avançando em nada! Esse machismo nojento que ainda perpetua na sociedade tem que acabar. Nós mulheres não podemos mais viver com medo, as margens e ainda mais “ser culpada” por uma coisa tão inescrupulosa e sem sentido.

“Ahh é a roupa curta.. é o jeito… é o comportamento”. Não há justificativa, pois não faz sentido pra todo esse desvio de conduta que acontece na sociedade. Apareceu um alguém X com um artigo na Veja, falando que a pesquisa induz aos resultados, que fala que sobre ATAQUE e não estupro. Amigão, nenhuma mulher quer ser atacada. Não queremos receber cantada de pedreiros, mexidas na rua, ser agarrada na balada, tomar tapa na bunda e nem encoxada no ônibus. A gente quer respeito e dignidade, independentemente da roupa, do jeito, do comportamento. Porque isso não significa nada, isso não significa que a mulher pode ser julgada… E quando você faz isso, julga e a classifica como puta, despudorada, fala que ela “ta pedindo”, você faz parte dos 65% que está de acordo.

Foi lançado um movimento nas redes sociais  #EuNãoMereçoSerEstuprada, onde as mulheres aparecem nuas, da cintura pra cima e fotografam com uma placa cobrindo os seios a frase: “Eu não mereço ser estuprada!”. E nenhuma mulher merece mesmo… E sem mais palavras pra minha revolta, termino o post com as fotos do movimento e que sirva de reflexão para as pessoas que responderam essa pesquisa…

estupro

 

Esse mundo cão….

Esse mundo só pode estar ao contrário, porque são tantas as contradições e coisas que não fazem mas sentido, que não tenho certeza se isso só não faz sentido pra mim e eu que não faço mais parte desse script ou se realmente a sociedade está com conceitos bem dos errados.

Fico inconformada de viver ainda num mundo com pensamento machistas (alow gente, estamos em 2013, mulheres independentes, homens com pensamento aberto, casais gays… Não deveríamos estar evoluindo junto?) onde uma mulher tem que pensar em como se vestir, em como se maquiar e no caminho que vai fazer pra ver se pode ou não ir com tal roupa ou de tal jeito, com medo de sofrer assédios, ouvir fiu fiu no caminho, um outro gritar “gostosa” do outro lado da rua… como se fosse a maior normalidade do mundo, como se fosse a mulher que estivesse errada.

Absurdo! Não se poder usar um vestido, sair de casa de bem, usar seu estilo e se valorizar, sem ter que se preocupar com comentários ofensivos – ofensivos sim, porque ser chamada de gostosa, linda, princesa não é elogio! -, com viradas de pescoço, com assovios e com expressões tanto quanto nojentas que nos faz se arrepender de ter colocado esse tal vestido… E o mesmo acontece para calças claras, blusas leves, saias… E não estou falando em vestir-se vulgarmente e sim em vestir-se normalmente!

E não é só o assédio do pedreiro da obra, do porteiro do prédio, do dono do bar… É também o assédio no trabalho com os caras conversando entre sí e falando sobre “as curvas” de fulana, do vestidinho de ciclana e das pernas torneadas de beltrana. E claro que a mulher percebe os olhares nojentos e agressivos, e todo o look produzido para vestir-se bem, acaba saindo pela culatra…

E o pior de tudo é que ficamos ainda nos sentindo culpada de estar sofrendo esse assédio, por termos sido nós que escolhemos essas roupas, o batom escuro ou a não maquiagem. E cada vez que isso acontece, e a gente se cala, mais a sociedade fortalece esse pensamento machista e agressor.

Mas nenhum homem se coloca no lugar da mulher e nem pergunta como a mãe, mulher ou irmã se sente quando passam por essa situação. “Ah, mas é normal…” – ledo engano! Isso pode ser considerado tudo, mas está longe de ser uma atitude normal. É uma atitude cultivada dentro da família, quando o filho ainda é pequeno e o pai ensina as atitudes de “macho” para a criança…

E continua mais ainda quando a mãe, a tia, a irmã, a vó não desaprova o comportamento… E quando na rua passamos por isso e baixamos a cabeça e achamos que é algo normal… Eu cansei disso tudo, cansei de ser julgada por minhas roupas e minhas maquiagens e ter “medo” de me vestir, com medo de todo esse assédio! Isso não pode ser normal, mas dá pra mudar essa atitude. Enquanto as crianças ainda são pequenas, enquanto os amigos nos dão ouvidos e enquanto a educação ainda existir, dá tempo de mudar essa realidade merda e fazer com que as coisas realmente entre no eixo (só que dessa vez de verdade!)