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Vamos colocar a mão na consciência

Sem chocolates, flores e jantares.
O dia de hoje que é sempre lembrado com mimos vazios e estéticos deve ser um dia pra pelo menos levar a reflexão. O dia de hoje é um bom dia pra tirar a mão do celular e colocar a mão na consciência.  Não queremos mimos, não queremos uma ajudinha em casa porque é dia das mulheres. Queremos igualdade, queremos respeito. Sair na rua sozinha sem medo; medo de ser assediada, medo de não voltar pra casa. E QUEREMOS TODOS OS DIAS.

E, para todos nós, valorize as mulheres a sua volta. Amigas, mães, tias, colegas de trabalho. Não desmereça o trabalho de alguém só porque é mulher. Não minimize a mulher falando de seu corpo ou seu ciclo menstrual. As mulheres tem que dar duas, três, mil vezes mais duro pra ser reconhecida, pra ter voz e se você também é mulher, você sabe do que eu to falando. Então valorize sempre que puder.
Apoie as mulheres. Não existe esse negócio de rivalidade feminina e se pensarmos bem essa inimizade feminina só existe porque “a sociedade” diz que existe. Vamos nos apoiar e lembrar que a nossa luta é a mesma, estamos do mesmo lado e melhor será quanto mais juntas estivermos. Já é difícil com todo o machismo nos homens, com mulheres também fechando a porta, tudo se torna mais difícil. Apóie, ouça, entenda.
Inspire-se com outras mulheres. Somos rodeadas de histórias e inspirações sempre masculinas. Tem Einstein, Darwin, Freud, Pitágoras… mas no longo da nossa vida a gente poucas vezes escuta sobre quantas mulheres incríveis passaram pela história também. Quantas mulheres na história você conhece? Procure, conheça e conte pra outras mulheres – e outros homens também- para as crianças. Deixa as mulheres inspirarem.

Que tenhamos mais empatia, que passamos a admirar cada vez mais as mulheres – não pelo seu corpo ou beleza e sim pelo que somos -, que sejamos cada vez mais respeitadas.

Tamo juntas <3

Mulheres de Berlim

Não foi só uma vez.

Quando alguns amigos vieram nos visitar em Berlim, ouvi comentários sobre as mulheres daqui. Ao contrário do que se pensa, não são elogios. São sempre comentários do tipo “Como as mulheres daqui são desarrumadas”.

Berlim é uma cidade onde as pessoas prezam pelo conforto, sejam elas homens ou mulheres. Para se locomover, as pessoas utilizam transporte público, bicicleta ou fazem o percurso a pé, então as roupas confortáveis ajudam – e muito – nessa locomoção. As mulheres vão para bares e baladas normalmente como estão vestida para o dia dia. Sem salto e muitas vezes sem maquiagem e uma “roupa apropriada”.

Há cinco anos atrás meu guarda roupa era completamente outro. Tinha mais de 20 vestidos – compridos, curtos, mangas longas, regatas, floridos…- quase não tinha jeans e roupas confortáveis só as de academia e o pijama. O mesmo acontecia com os sapatos. Por anos só comprei sapatos de salto e que normalmente eram desconfortáveis, algumas sapatilhas sociais e um tênis raramente usado. Lembro de sempre estar com os pés moídos dos sapatos e de raramente me sentir confortável. Os cabelos sempre tinham que estar alisados e prontos, só saia de maquiagem e fazia as unhas toda a semana.

Quando as pessoas vem e falam que as berlinenses não são arrumadas eu tenho outra visão. Vejo que as mulheres daqui são muito mais livres. Elas buscam o conforto, a praticidade do dia dia e estão sempre muito a vontade. As mulheres não estão de salto alto o tempo todo, as unhas não estão pintadas sempre, a cara vezes tem maquiagem vezes não, e ninguém se importa. As mulheres continuam se divertindo como todas as outras, indo a bares, festas, trabalhando, vivendo.

E estar aqui me fez me libertar de muitas dessas coisas também.
Hoje sinto que vivo sem essa pressão de estar sempre “pronta”, seja lá o que isso signifique. Não é errado usar saltos, alisar o cabelo ou se arrumar.
Errado é fazer isso por uma obrigação que nem se sabe da onde veio (na verdade a gente sabe sim). Saber que não são as unhas feitas, os cabelos prontos e certo estilo de roupas que vão me impedir de ser eu mesma e muito menos de fazer o que eu quero. Minha relação com meu guarda roupa mudou, minha relação com minha aparência mudou e hoje já me sinto uma mulher de Berlim.

Esse blog está contagiado pelo espírito olímpico

Eu sempre gostei das Olimpíadas. Quando era criança assistia muitas provas, ficava maravilhada e obviamente torcendo pelo Brasil. Gostava muito dos jogos de vôlei, da ginástica artística com fitas (ainda existe?) e do nado sincronizado. Ah, sem falar do vôlei que sempre foi meu queridinho <3

Esse ano quando as Olimpíadas começou a bater na porta do Brasil, confesso não estar muito animada. Aquela criança que se divertia e se animava tanto vendo os jogos não estava mais em mim. Pensava só que não era o momento do Brasil, que as coisas estavam e estão mal, que vivemos um péssimo cenário político, que seria uma grande vergonha, fora a quantidade de dinheiro perdido nisso tudo.

Mas aí jogos chegaram e todos meus pensamentos pessimistas foram postos de lado. Começando pela linda abertura com show de inclusão: transsexuais, homens, gays, mulheres, todos reunidos na mesma festa sem discriminação. O Vanderlei Cordeiro de Lima que nas Olimpíadas de Atenas foi empurrado acendendo a pira Olímpica e nos trazendo toda a emoção de volta. Foi lindo.

E durante os jogos, mais surpresas boas: as mulheres dando um show de talento, sendo reconhecida, deixando todas nós empoderadas. Muçulmanas jogando vôlei, meninas pobres ganhando medalhas, trabalho em equipe, superação. Tá tudo sendo tão bonito de se ver, que nos enche os olhos, nos dá orgulho.

Ver o mundo todo nessa, todos participando, todos jogando limpo, se esforçando e dando tudo de si. Nos mostrando histórias de superação, histórias de garra, de vitórias, de vida e nos dando exemplos de como nunca desistir, lutar pelo que se quer. Cada jogo uma história revelada e descobrimos que as pessoas são gente como a gente e superam seus medos e suas dificuldades a cada passo.

Sim, eu sei que os nossos problemas ainda continuam, mas até o final dessas olimpíadas prefiro ver o copo meio cheio, aliás, prefiro ver o copo transbordando e tirar dessa experiência olímpica muitos “finais felizes”. Vejo um mundo de inclusão, um mundo de todos, um mundo onde cada um é reconhecido pelo seu esforço, talento e cada um tem o seu brilho.
Um mundo de todo mundo.

Esse mundo cão….

Esse mundo só pode estar ao contrário, porque são tantas as contradições e coisas que não fazem mas sentido, que não tenho certeza se isso só não faz sentido pra mim e eu que não faço mais parte desse script ou se realmente a sociedade está com conceitos bem dos errados.

Fico inconformada de viver ainda num mundo com pensamento machistas (alow gente, estamos em 2013, mulheres independentes, homens com pensamento aberto, casais gays… Não deveríamos estar evoluindo junto?) onde uma mulher tem que pensar em como se vestir, em como se maquiar e no caminho que vai fazer pra ver se pode ou não ir com tal roupa ou de tal jeito, com medo de sofrer assédios, ouvir fiu fiu no caminho, um outro gritar “gostosa” do outro lado da rua… como se fosse a maior normalidade do mundo, como se fosse a mulher que estivesse errada.

Absurdo! Não se poder usar um vestido, sair de casa de bem, usar seu estilo e se valorizar, sem ter que se preocupar com comentários ofensivos – ofensivos sim, porque ser chamada de gostosa, linda, princesa não é elogio! -, com viradas de pescoço, com assovios e com expressões tanto quanto nojentas que nos faz se arrepender de ter colocado esse tal vestido… E o mesmo acontece para calças claras, blusas leves, saias… E não estou falando em vestir-se vulgarmente e sim em vestir-se normalmente!

E não é só o assédio do pedreiro da obra, do porteiro do prédio, do dono do bar… É também o assédio no trabalho com os caras conversando entre sí e falando sobre “as curvas” de fulana, do vestidinho de ciclana e das pernas torneadas de beltrana. E claro que a mulher percebe os olhares nojentos e agressivos, e todo o look produzido para vestir-se bem, acaba saindo pela culatra…

E o pior de tudo é que ficamos ainda nos sentindo culpada de estar sofrendo esse assédio, por termos sido nós que escolhemos essas roupas, o batom escuro ou a não maquiagem. E cada vez que isso acontece, e a gente se cala, mais a sociedade fortalece esse pensamento machista e agressor.

Mas nenhum homem se coloca no lugar da mulher e nem pergunta como a mãe, mulher ou irmã se sente quando passam por essa situação. “Ah, mas é normal…” – ledo engano! Isso pode ser considerado tudo, mas está longe de ser uma atitude normal. É uma atitude cultivada dentro da família, quando o filho ainda é pequeno e o pai ensina as atitudes de “macho” para a criança…

E continua mais ainda quando a mãe, a tia, a irmã, a vó não desaprova o comportamento… E quando na rua passamos por isso e baixamos a cabeça e achamos que é algo normal… Eu cansei disso tudo, cansei de ser julgada por minhas roupas e minhas maquiagens e ter “medo” de me vestir, com medo de todo esse assédio! Isso não pode ser normal, mas dá pra mudar essa atitude. Enquanto as crianças ainda são pequenas, enquanto os amigos nos dão ouvidos e enquanto a educação ainda existir, dá tempo de mudar essa realidade merda e fazer com que as coisas realmente entre no eixo (só que dessa vez de verdade!)