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You used to call me on my birthday

Quando era criança aniversário era sinônimo de brinquedos, bolo, docinhos e coxinha.

Amo coxinha e quando era pequena comia que nem esgoelada – talvez não tenha mudado muito na vida adulta – e se você conhecer alguma tia minha ela vai contar que eu ficava com duas coxinhas na mão e uma na boca.

Fazer aniversário era juntar com os primos, cortar bolo, fazer desejo pra ganhar Barbie no Natal. Era comer bolo da Socorro com cobertura de chantilly em forma de palhaço, em forma de coração. Comer brigadeiro depois do parabéns e abrir sacolinha surpresa. Usar chapeuzinho, vestir dentadura de vampiro, esperar o bexigão estourar para pegar a maior quantidade de balas possível.

Depois que cresce aniversário significa não comemorar tanto assim. Ganhar roupas, fazer só um bolinho pra família pra não passar em branco. Receber ligações das tias, primas, amigas mais próximas. Ganhar scrap no Orkut e quem sabe testemonial. Era poder ficar até um pouco mais tarde com os amigos em algum lugar barato e conversar até a boca cansar de falar. É cantar “com quem será” no final do parabéns e esperar que o par seja o crush.

Quando se cresce mais um pouco, aniversariar é envelhecer. É ganhar mais responsabilidades, querer esconder a idade, ficar triste por mais um ano ter passado. Pensar na vida, colocar os pesos na balança, fazer a famigerada reflexão. Mas também é comemorar com os amigos, beber, dançar, jogar conversa fora. Encontrar a família, relembrar histórias de aniversários passados, comer sem culpa e quase nunca ganhar presentes.

E assim completo mais um ano de vida, mais um ano pensando se ganharei os presentes que escolhi no Natal, mais um ano que vou apagar as velinhas fazendo um desejo que não me lembrarei depois, mais um ano com meus amigos, mais um ano com minha família.
E quem sabe se eu der sorte, acabar numa festa com duas coxinhas na mão.