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lá lá lá lá

Ouça a voz que vem de dentro
Aquela vozinha que fora esquecida e deixada de lado
Diante de todas as vontades que o mundo lhe forçou
Diante de um ego cada vez mais alimentado

Ela enfraqueceu e se escondeu
Mas ainda está aí dentro

Cale as vozes que vem de fora
Que não são parte de você
Ou ao menos não são parte do seu eu sincero

Escuta a vozinha
Ainda que tímida, escondida
Aumenta o som dela, dê coragem
Deixa essa voz sair
Deixa ela aparecer
Te conhecer, viver o mundo

Essa vozinha pode te mostrar um mundo
que você nunca imaginou conhecer

Como vou me sentir realizada se não faço ideia do que é a realização?

A crise dos 30 ainda tá batendo por aqui (e cada vez mais forte) e por meu aniversário estar próximo e o final de 2016 também, minha cabeça fica ainda mais pensativa, com olhares perdidos no horizonte – estilo clipe do Coldplay -, sem descansar algumas noites no travesseiro com a pergunta que não cala: Cara, que que eu tô fazendo da minha vida?

Há um ano e meio atrás eu larguei um trabalho que me enchia o saco, me deixava estressada, nervosa e triste de ser quem eu tinha me tornado. E aí tomei a decisão de largar tudo e me tornar outra pessoa. Não tinha a mínima ideia do que queria me tornar, mas tinha a completa certeza de que não queria ser e nem fazer o que tinha feito até hoje e não queria passar mais tempo perdendo tempo.

Nesse um ano e meio tentei fazer um milhão de atividades, tentar me descobrir em alguma delas, desde babá de cachorro, cozinheira, decoradora, até ilustradora – que é a que eu to tentando me encaixar agora. Em meio a várias coisas que fazia, (re) encontrei nos desenhos uma paixão, uma alegria e uma motivação de seguir em frente com isso.

Um ano e meio depois já consigo vender alguns quadros com desenhos meus, já abri uma lojinha online, já fiz camisetas, cadernos, canecas. Mesmo assim, passo algumas noites em claro, a cabeça no travesseiro ainda não se aquieta, aquela pergunta sempre volta em todas as suas formas. Bate a insegurança de não saber o que estou fazendo, bate o medo de passar a vida sem talvez saber o que eu quero fazer. Parece que estou em um abismo onde todos em minha volta tem absoluta certeza do que estão fazendo com suas vidas, são pessoas realizadas, pessoas de sucesso, pessoas felizes.

Me sinto no limbo das pessoas que largaram tudo pra ser feliz, e só fique na parte de largar tudo pra ser sei lá o quem.

Não tenho a mínima ideia do que é estar realizada, não consigo parar e definir meus objetivos pra daqui x anos, porque eles simplesmente não existe. Não sei também se é pra existir, se até o final da minha vida vou saber quem eu sou, se existe uma resposta pra essas coisas, só sei que a crise existencial ainda existe por aqui. Talvez essa coisa de propósito não funcione comigo (ou nem pra ninguém), talvez eu tenha gastado minhas energias em coisas que não deveria, talvez seja muito desorganizada. Ou talvez eu nem precise chegar em lugar nenhum.

Ninguém disse que ia ser fácil, mas também ninguém avisou que ia ser esse sofrimento todo. E a propósito, esse post não tem propósito e não vai responder nada e nem te ajudar no caso de você também estar passando por isso (só te ajuda pra você saber que não está sozinho nessa).

Ainda tenho 20 dias para virar uma rockstar.

 

O prazer de ser um só

Um alguém entra em um restaurante sozinho e sente que todo mundo está te olhando. Se sente incomodadíssimo em estar lá e se joga na frente do celular. Ouve algumas risadas e já acha que estão rindo dele e o jantar que iria comer ali já vira um pedido para viagem. Ele se sente mal em estar sozinho, mal com os julgamentos alheios, mal em não ter companhia. 

Em contrapartida um outro alguém está indo no cinema, compra uma entrada pra um filme romântico, vários casais na fila e ele também. Sem ligar para os outros, sem ligar para companhia, ele apenas quer ver o filme que todo mundo comenta tanto e vai. Assiste ao filme inteiro, gosta e depois volta pra casa com a sensação que a noite valeu a pena.


preview-650x341-98-1463994505Essas duas histórias acontecem todos os dias, em todos os lugares, com um tantão de gente (já deve ter acontecido com você também) e mostra os pontos de vista e de vida de uma situação de solidão e de solitude.

Para muitas pessoas o grande temor da vida é a solidão. Ficar sozinho, fazer coisas sozinho e ter que conviver consigo mesmo pode ser uma tortura. A solidão é tida como algo ruim, remete a depressão e isolamento (o que não deixa de ser verdade). E para não conviver com a tal da solidão muitas pessoas acabam entrando em relacionamentos só para ter companhia – sem amor, sem carinho -, se alimentam de amizades e relacionamentos abusivos e vazios, aceitam qualquer coisa que venha do outro (que pode ser amor, mas que também pode ser não ser), desde que tenha um outro envolvido. Ficar sozinho é um problema e ter que enfrentar o seu próprio eu todos os dias pode ser um fardo muito grande.

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Já a solitude é o prazer de ficar sozinho. Não é um peso sair nas ruas, ir ao cinema, viajar, morar sozinho. Você quer, você curte e ficar sozinho é prazeroso. Estar com outras pessoas é bom, mas estar sozinho também é. A solitude é conseguir estar bem sozinho para estar bem com os outros, gostar de você, lidar consigo mesmo e ter prazer em fazer isso. O mesmo prazer em sentar com os amigos, sair com alguém, jantar com a família é o prazer que deve ser encontrado ficando sozinho.

É muito bom ser um só e temos que descobrir isso. Temos que aprender a lidar com o nosso “eu”, a estar bem com nós mesmos, estar em contato com a nossa essência, alimentar nossos gostos, cuidar de nós mesmos. E isso não é aprendido do dia pra noite, até porque não tem receita de bolo e nem manual de instruções. É um exercício constante, não tem certo e errado. É só achar seu ponto de equilíbrio, a sua solitude.

“Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes é necessário ser um.”

 

Apenas um textão

Antes de começar a leitura, já aviso: alerta textão. Podia ser pior, podia ser na timeline do Facebook, mas é só aqui no blog mesmo.

Stumblr_m5w5tvEjiK1r6rpbto1_500emana passada fui no supermercado sozinha, e quando estava colocando as sacolas no carro, veio um menininho de uns 12 anos e colocou a mão no carrinho. Minha primeira reação – vergonhosa por sinal – foi achar que o menino levaria as minhas coisas. Mas por fim, ele só queria me ajudar a colocar as compras no carro.

Sai do mercado me sentindo uma bosta. Porém, mais tarde conversando com amigos e família, descobri que a reação que tive era a esperada. E ai me senti mais bosta ainda. Vivemos num país onde roubo, violência e coisas ruins acontecem o tempo todo, e entao passamos mais tempo com medo do que esperando boas atitudes das pessoas.

É assim quando alguém está a caminho e de repente não  atende o celular – o primeiro pensamento é o de que aconteceu alguma coisa. É assim quando alguém demora pra chegar em casa, é assim quando alguém anda atrás de você na rua, quando alguém te oferece alguma ajuda sem esperar nada em troca. A gente vive desconfiado, não esperamos o melhor das pessoas e sempre achamos que seremos enganados. E ainda tem os “espertinhos” que antes de que isso aconteça, já sai enganando todo mundo por ai – mas aí é mais mal caratismo mesmo.

E ai fico me perguntando o que fazer pra mudar essa situação, pra tirar o modo alerta de dentro da gente, pra confiarmos mais nas pessoas, e se realmente há uma soluçao pra isso tudo. Não tenho nada em mente pra ajudar a melhorar isso tudo sem ficar com medo ou me arriscar demais, mas deixo aqui em meio a esse textão, uma deixa para refletirmos.

Mais um menos um

wpid-IMG_4236.JPGMais um ano de vida, menos um ano de vida… Eu não sou a pessoa que mais gosta de fazer aniversário, porque sempre me leva a refletir sobre a vida e todo mundo sabe que pensar na vida não é uma das coisas mais legais de fazer…

Um breve resumo de como foi ter 24 anos: um ano de muitos aprendizados, muitas risadas, muitas descobertas… Que nem sempre foram boas… Lágrimas, desesperos, emoções. O primeiro natal sem minha avó, um carnaval com a galera no carnaval de rua, um ano sem muita praia, mas também sem muito calor… Um ano de economia, pra depois gastar tudo na viagem pros States! Ah viajar! Foi o ano da primeira vez… Que fui pra fora do país, testar meu inglês barato e ver que o mundo é muito melhor do que o mundo que conhecia antes…. Primeira vez que fui no Rock in Rio e que com certeza vou mais vezes. Ano de show (John Meyer, Philip Phillips, Bon Jovi, Nickelback, Ben Harper, Matchbox 20, Frejat, Demônios da Garoa, Sambô), ano de risada, viagem, beber…. Mais uma tattoo e mais uma ânsia louca de querer fazer outras 100! Primeira vez de October Fest e um fim de semana de muitas aventuras.

25 anos

De provar vinhos, conhecer restaurantes, conhecer as pessoas… Foi um ano esquisitão. Ano que gastei bastante, mas também cabei bastante (nem que esse ganho tenha sido experiência). E falando em acabar, foi o ano que acabei também mais um ciclo da vida, finalizando a pós e terminando o TCC com chave de ouro. Um ano de altos e baixos, de reflexão… Dizem que nos 24 que a gente decide que lado do muro a gente ta… Não pro lado sexual, mas da pra decidir que lado do muro da vida a gente ta. Não vou filosofar aqui, sei que esse não foi o meu melhor ano e também acho que não foi o pior.

Espero que com 25 venha melhoras e experiências novas, desafios novos, novos motivos para sorrir, para sonhar, para acreditar…. Esse é só o começo de mais 1/4 de século… Muita coisa ainda vem pela frente! Mas que só as boas me levem pra frente e me façam querer seguir em frente.
Feliz 1/4 de século pra mim!