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adeus 2019

comecei o ano sentindo que ia ser pesado e boa parte disso por conta das notícias vindo dos resultados das últimas eleições do Brasil. não sabia que ia me afetar tanto quanto afetou emocionalmente, mas mais tarde descobri os porquês em algumas sessões de terapia. que ano intenso. foi o ano que mais me descobri, e descobri ainda assim que não sei quem eu sou. sentar frente a frente comigo mesmo, tocar em feridas abertas e abrir feridas que eu sequer sabia que existia foi intenso. mas também foi bom. foi o ano que eu me senti desconectada do mundo também. um ano em que muitas vezes me senti sozinha, mas também mais tarde descobri que faz parte do meu processo. provei da solidão e da solitude. um ano em que mais uma vez pude ter parte da minha família por perto. o qual eu pude viajar e conhecer novos lugares. tomei sol – muito sol. vi o mar. me diverti. construí coisas. sorri. fiz tatuagem. comi muita coisa boa. li. como eu li esse ano. acho que nunca li tanto quanto esse ano. e aprendi tanta coisa. foi um ano estranho. um ano complexo. um ano em que plantei semente dentro de mim.um ano em que morri. mais de uma vez. e renasci algumas outras vezes. um ano de inseguranças. de auto conhecimento. de reflexão. de aprendizado. de finais de ciclos. de começos de outros. de ideias. de revoltas e revoluções. internas. externas. não to preparada pra 2020, mas quero que venha logo e me movimente mais um pouco. como em alguma das minhas leituras dizia: não quero uma vida feliz, quero uma vida interessante.

Aprendi com a natureza

Quando mudamos resolvi começar uma horta. Nunca tive mãos boas para plantas; as poucas vezes que tentei plantar ou manter alguma coisa, morria em menos de uma semana. Mas o que é a vida se não persistir.

Plantei algumas sementes, de tomates, de salsinha e mais alguma coisa que me lembro o que era. De nada adiantava minha ansiedade, tive que cuidar e esperar. As vezes parecia que não ia dar certo. Tentei deixar pra lá, deixar tudo morrer e desistir da ideia. Mas quando via as flores aparecendo e tudo se formando, voltava a cuidar, podar, dar água, adubar. Ficava pensando que talvez o solo não estivesse tão pronto para todas aquelas sementes, ou talvez estava regando demais ou de menos.

Com o tempo, alguns frutos começaram a aparecer. Pra tudo continuar crescendo, tive que abrir mão de alguns pés para dar espaço para as demais crescerem. Foi preciso dar estrutura para que os pés não despencassem e morressem. Alguns caíram com o peso dos frutos, mas ainda assim continuaram crescendo e amadurecendo. E com o passar dos dias, os tomates foram amadurecendo, alguns caindo do pé ainda verde, mas a maioria está pronto para comer.

Daí passei a entender a vida pelo ponto de vista da natureza. Quando olho para natureza e entendo que faço parte dela, entendo que tudo se transforma no seu tempo.