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Sobre 27 anos

No dia 01 de novembro completei mais um ano de vida. Normalmente nos meus aniversários eu não sou a pessoa mais feliz do mundo, e muitas vezes acabo chorando ou caída no chão (de bêbada ou porque me derrubam). Mas esse ano tentei algo diferente: ficar de pé feliz por fazer aniversário.

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Quando era criança lembro de gostar bastante de fazer aniversário, mas acho que toda a criança gosta, afinal de contas tem presente, tem bagunça, tem doces e comidas liberadas (sem ser julgada se vou comer demais). Depois de grande, acho que com uns 20…22, fazer aniversário já não era uma coisa tão agradável, porque começava a pensar e via que – mesmo sendo jovem – meu tempo estava passando e talvez eu não estivesse fazendo tudo o que eu queria da vida.

20151030_220712-ANIMATIONOs pensamentos passam de ser “o que eu posso fazer ainda?” para “AI MEU DEUS EU AINDA NÃO FIZ ISSO!“, e a mente começa a fazer uma corrida contra o tempo. Na cabeça começa a aparecer listas e listas que nunca acabam e tenho sempre a sensação de que estou atrasada para fazer alguma coisa, de que um domingo jogada no sofá é terrível e inadmissível.

Mas parando para pensar esse ano, vi que isso é pura noia e que sim, o tempo está passando, mas eu não estou perdendo tempo. Estou fazendo minhas coisas, talvez não como imaginava quando tinha 18 anos, mas estou fazendo muito do planejado. Viagens, saída com amigos, sair de casa e ter uma vida nova são coisas que fiz esse ano e me deixaram muito feliz.

No final das contas, ao invés de olhar o lado negativo do que eu não fiz, to olhando o lado da balança do eu que fiz eu esse ano e que foi bom. Claramente existe coisas que fiz que não queria ter feito ou deveria ter pensado melhor, mas fico feliz ao avaliar que essas são as minorias.

Ficar mais velha não é o final do mundo afinal de contas, é só mais um ano com muitas histórias e conquistas e espero que nos próximos anos essas conquistas aumentem e que quando chegar meu próximo aniversário eu consiga ficar extremamente feliz por ter amigos, brigadeiros e coxinhas!

E ai que eu achei que tinha gravado um vídeo maneiro (mostrando que estou ficando velha utilizando gírias antigas) sobre ter 27 anos, mas durante a festa, veio um amigo e gravou um melhor, que é esse aqui:

O que você quer ser quando crescer?

Acho que essa é a pergunta mais feita quando você é criança pelos pais, tios e avós: “O que você quer ser quando crescer?”. Da primeira redação da pré escola até o curso pra preencher no vestibular, essa pergunta nos segue por mais ou menos 17 anos e nem sempre sabemos qual a resposta certa (se é que ela existe).

Quando criança, os sonhos são o de ser o mais forte bombeiro, o mais esperto detetive ou até mesmo trabalhar no supermercado porque é muito maneiro andar de patins o dia inteiro (quem nunca?). Mas aí você vai crescendo e a pressão vai aumentando… Então sempre que você pensa numa profissão, você pensa no que condiz com a sua realidade. Por exemplo, na 6º ou 7º série se você joga bem futebol, você vai ser jogador de futebol; se você manda muito bem em ciências, você vai ser um cientista e se você é magrinha e bonita vai dar uma modelo e tanto! Raramente alguma criança pensa em ser um programador de .NET, um engenheiro mecânico ou um contador.

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Mas, quando chega o ultimo ano da escola, você se depara com uma infinidade de cursos e tem que escolher um pra seguir carreira a vida toda. Você passa 17 fucking anos fazendo coisas aleatórias, sem necessariamente ter relação com profissão nenhuma, só coisas que te deixam feliz, mas em um ano você tem que apostar todas as suas fichas numa profissão X.

Aí o jogador de futebol vira analista de sistemas, o cientista vira administrador de empresas e a modelo vira agente de viagens. Não que eles não estejam satisfeitos com suas profissões, muitas vezes estão, mas e os que não estão? E os que escolheram porque tinha que escolher? Os que tiveram que guardar seus sonhos e vontades em uma caixinha esquecida lá no porão, e TEVE QUE trabalhar no que dá dinheiro, na área que tinha muito emprego, no que dava mais segurança e estabilidade.

Sim, eu fui uma dessas criancinhas que virou um adultinho perdido, que FEZ O QUE TINHA QUE SER FEITO e só depois percebeu que não fazia sentido. E foi preciso coragem, oportunidade e muito apoio de quem me conhece e sabia o que eu tava passando para que eu largasse mão do “seguro” para procurar o que me fazia feliz (e ainda estou na busca). Por muitos anos sabia que não estava fazendo o que gostava, mas sempre inventava uma desculpa pra mim mesmo adiando ir atras dos meus sonhos, mesmo não sabendo de fato quais são. Acabei gastando dinheiro, tempo e me desgastando esperando o momento certo.

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A maior descoberta que fiz até agora foi descobrir que o momento certo só existe quando você faz daquele o momento certo. Foi preciso abrir mão de algumas coisas para conseguir outras, como a gente faz com tudo na vida. Longe de mim esperar encontrar o trabalho perfeito. Eu sei muito bem que trabalho não é parque de diversões, e que dá TRABALHO, mas tenho convicção que temos que procurar algo que faça sentido pra gente, pra que por mais que dê muito trabalho, ainda assim faça sorrir e dê a maior satisfação no final do dia.

Ainda não sei responder a pergunta: “O que quero ser quando crescer?” , mas lembro que quando criança, por muito tempo a resposta foi: ” Quando crescer quero ser o Pato Donald“.