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O prazer de ser um só

Um alguém entra em um restaurante sozinho e sente que todo mundo está te olhando. Se sente incomodadíssimo em estar lá e se joga na frente do celular. Ouve algumas risadas e já acha que estão rindo dele e o jantar que iria comer ali já vira um pedido para viagem. Ele se sente mal em estar sozinho, mal com os julgamentos alheios, mal em não ter companhia. 

Em contrapartida um outro alguém está indo no cinema, compra uma entrada pra um filme romântico, vários casais na fila e ele também. Sem ligar para os outros, sem ligar para companhia, ele apenas quer ver o filme que todo mundo comenta tanto e vai. Assiste ao filme inteiro, gosta e depois volta pra casa com a sensação que a noite valeu a pena.


preview-650x341-98-1463994505Essas duas histórias acontecem todos os dias, em todos os lugares, com um tantão de gente (já deve ter acontecido com você também) e mostra os pontos de vista e de vida de uma situação de solidão e de solitude.

Para muitas pessoas o grande temor da vida é a solidão. Ficar sozinho, fazer coisas sozinho e ter que conviver consigo mesmo pode ser uma tortura. A solidão é tida como algo ruim, remete a depressão e isolamento (o que não deixa de ser verdade). E para não conviver com a tal da solidão muitas pessoas acabam entrando em relacionamentos só para ter companhia – sem amor, sem carinho -, se alimentam de amizades e relacionamentos abusivos e vazios, aceitam qualquer coisa que venha do outro (que pode ser amor, mas que também pode ser não ser), desde que tenha um outro envolvido. Ficar sozinho é um problema e ter que enfrentar o seu próprio eu todos os dias pode ser um fardo muito grande.

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Já a solitude é o prazer de ficar sozinho. Não é um peso sair nas ruas, ir ao cinema, viajar, morar sozinho. Você quer, você curte e ficar sozinho é prazeroso. Estar com outras pessoas é bom, mas estar sozinho também é. A solitude é conseguir estar bem sozinho para estar bem com os outros, gostar de você, lidar consigo mesmo e ter prazer em fazer isso. O mesmo prazer em sentar com os amigos, sair com alguém, jantar com a família é o prazer que deve ser encontrado ficando sozinho.

É muito bom ser um só e temos que descobrir isso. Temos que aprender a lidar com o nosso “eu”, a estar bem com nós mesmos, estar em contato com a nossa essência, alimentar nossos gostos, cuidar de nós mesmos. E isso não é aprendido do dia pra noite, até porque não tem receita de bolo e nem manual de instruções. É um exercício constante, não tem certo e errado. É só achar seu ponto de equilíbrio, a sua solitude.

“Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes é necessário ser um.”