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Trinta

Eu sempre achei que quando eu chegasse nos 30 anos eu ia ser muito adulta. E talvez por isso eu sempre tive meio que medo de chegar aos 30, porque eu nunca me sentia perto de toda essa “adultisse”.

Sempre fui muito molecona, brinquei até mais do que se espera de uma criança, não levava as coisas muito a sério para o desespero dos meus pais. Pra mim crescer envolvia muito mais responsabilidade do que diversão. Achava que quando virasse oficialmente adulta, ia virar um desses adultos chatos, sérios. Mas não é bem assim. A responsabilidade vem – junto com os boletos pra pagar-, mas vem também a liberdade, as escolhas, a maturidade… ah, como é bom olhar pra trás e ver o quanto mudei.

A vida pode ser divertida, e até mais do que era. É bem clichê mas é verdade: a idade tá na nossa cabeça. Só é limitante quando a gente deixa ser, só é pesada quando a gente coloca esse peso. Tá certo que o corpo cede algumas vezes, mas é o preço a se pagar.

O que seria um desespero pra mim há 10 anos atrás, estar com 30 mais perdida do que quando vim ao mundo, sem filhos, sem trabalho, hoje é um dos motivos da minha alegria. Provavelmente daqui há 10 anos vou olhar pra trás e me sentir uma idiota, e isso é ótimo.

Sigo na vida correndo atrás do meu sonho de criança: ser o pato Donald.